Estou me sentindo mais mulher

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querido diário, hoje estou me sentindo mais mulher. ela falou: ‘joão, meu irmão, deixe de onda. ser mulher é muito ruim’. também não discuti. balancei a cabeça e disse aham. não conta. quem me falou isso foi uma amiga minha bota. ‘veja só: a gente menstrua, tem cólica…’ eu sei, minha filha, sou burro não. sou, por caso, loira? é o seguinte, penso nos homens. mulher é que nem imã com homens, entende? e assim, o que eu sou limita muito. nem todos são bi e nem todos, mesmo escondido em continuum segredo, comem. tenho também outra coisa pra falar, querida: eles cobram por aquilo e eu não tenho. michê é outro departamento, só no começo do mês. falo daquilo mesmo. daquilo. onde vou arranjar uma? a cirurgia, como te falei ontem no telefone, tá difícil. o vereador ainda ocupado com a campanha dele. que difícil, môdeus. hoje, logo quando acordei pintei minha unhas. sideny já tinha ido trabalhar. peguei e pintei uma por uma sem borrar, sem borrar viu? mas pintei só a esquerda. a outra não consigo. to tão feliz. o sidney não sabe, mas ontem eu dei uns pega no entregador de gás. uns pegas subterrâneos. afofei meus fundos com os 19 cm de picareta do entregador de gás. nada de beijinho. direto na coisa. foi no escritório de sidney. me tranquei lá pra não correr risco de a empregada ouvir e falar pra ele. já não aguento mais chantagem. nem despedi eu posso essa infeliz. até mais querido-diário. 🙂

Minha colaboração com o Blog das 30 Pessoas

verba, essa coisa difícil de se arranjar. prima de primeiro grau do patrocínio. é família e sua falta bloqueia sonhos. ideias. tudo se tranca na gaveta. pega mofo. vira pó. morre-se sem verba, sem crítica, sem olhares, sem o perdão. demos nós a cara à tapa. verbalizemos. opinemos sobre o preço do pão. gritemos roucos nossos poemas. coisa interna vocal e vocacional. deixemos, aos pulos, nossos corações. tiremos os to nem aí do canto. desassosseguemos, em nome de pessoa. ativemos o modo on da perturbação. literatura tem que mexer. tocar. perturbar. levar ao gozo tântrico. o poeta, o cronista, o contista, o romancista não querem somente verba, querem verbo. isso, muito antes da verba, está no princípio. abre joão. no princípio era o verbo. porque o nosso se principia na necessidade. não se precisa de marketing. best-seller só nas livrarias. sucesso de vendas, idem. talvez até seja a mesma coisa. aqui a edição é única. parada no pdf da inquietude. tudo aqui é virtual. diferente, é claro, pra quem gosta de segurar a coisa. passar saliva nos dedos. ouvir o barulho do papel. riscar para uma releitura. deves saber: aqui é tela e nem todo quadro pede moldura. aqui compartilhamos o amor pela palavra. palavra-verbo. fazemos arder lá dentro. metemos o dedo nas feridas. dilatamos aquilo e deletamos a falta de possibilidade editorial em papel. é tudo gratuito na barraca do beijo poético. maças do amor. dor fingida, e não por isso real. salas escuras. personagens com fôlego. pulsação. sede canina. no vestuário da crítica trocamos suas vestimentas. roupas limpas. brancas de paz. sem procissão. a paz começa na gente. a moral quando livres. vamos dizer o que queremos. livres de novo. já lutaram por isso lá trás. não vamos nos rasgar desta forma. escondendo o que pensa. vamos dizer o não dito. ler o terceiro caderno. deixar ser estranho. fazer novos achados na nossa língua. ser clássico de nós mesmos. atuais. verbais, aproveitando pra socar no cu a verba que cabe. direitinho. é só querer. querer. verbo: ação que não precisa de verba.

OBS.:

Este texto acima,  de autoria minha, é a principal argumentação da minha  editora virtual, a  Editora A Verba. Confesso que como editor não tive tempo de escrever um texto inédito para o Blog e,  como se precisasse mostrar que é verdade mesmo, reservei o mês de agosto para divulgar aqui esta minha iniciativa para com a difusão da cultura literária. Espero por todos vocês no blog da editora, onde no qual já tem como publicação marco um e-livro meu, o Testosterona. Para chegar lá é só clicar aqui.

Ah, gente, sou inquieto demais para ficar apenas nessa chatice de editora. Não sei se vocês vão gostar, mas publico a seguir um dos meus textos mais curtidos e comentados nesta semana lá no face:

 pintei minhas unhas, ou melhor, pintaram-nas. depois de eu tanto insisti pintaram. insisti mais um pouco e deram outra mão. claro que as pessoas estranharam tal vexame. saí hoje pra passear com minha cachorrinha e o pessoal (os transeuntes) não tirava os olhos da coleira. pouco liguei, é claro, e não escondi de ninguém. poderia, mas não escondi. pra quê esconder? fico feliz (feliz também é relativo) quando passo a ser eu mesmo. quando respiro pelo meus poros. quando como com os meus dentes. quando chupo e opto pelo que eu quero. a felicidade bateu na minha porta e eu abri e deixei-a entrar. minha casa (recém comprada. vai fazer três meses que me casei com um gringo. pedi demissão das lojas americanas e to pensando em trabalhar voluntariamente para a copa. primeiro quero aprender inglês, é claro. ele já tá me ensinando. me enganando que vai me ensinar, não sai do verbo to be. i will survive em meio a isso tudo.) toda bagunçada: a pia invadida de pratos sujos e minhas unhas (brilhando cheia de cutículas não removidas) todas ruídas naquelas horas de ansiedade, naquelas horas que ele diz que vem e não vem. sidney, meus esposo, anda chegando muito tarde, sempre com aquele papo de dormir na casa de uma amiga para não se atrasar na reunião do dia seguinte. pelo menos ele não é bi. e se fosse não sou ciumento. mas e eu como fico? esse tempo de chuva e eu sozinho rebolando na cama com brigite a gritar com os trovões. então hoje, cansado da rotina, mandei pintarem minhas unhas das mãos. as do pé não. sidney gosta de roê-las, com certeza brigaria e mandaria eu passar acetona para facilitar pra ele. não costumo gastar com futilidades, também ando apenas de sapato fechado e não cola mesmo fazer a dos pés. diferente de mim, sidney curte demais havaianas. tem uns dez pares diferentes. usa todas nos finais de semana na nossa casa de praia em noronha. porque é o seguinte: eu gosto de fazer tudo que ele me pede. nunca desobedeço. pintei as unhas pra ficar bonito, bonito pra ele. ele sabe que eu gosto de escrever e pintei também pra teclar com mais feminilidade. é das pontas dos meus dedos que saem aqueles textos. pintei pra escrever coisas românticas sobre nosso casamento que pelo menos até agora está dando certo. não sei se pela ausência dele, mas quase nunca brigamos. pintei as unhas e amanhã vou dá um alisante nos meus cabelos. sidney deixou comigo o cartão dele. pra incomodar a todos e fazer um pouquinho só de inveja, estou riquérrima. rica: r-o-l-a. rica! ♥

Um beijo de minutos em vocês e até mês que vem: 28 de setembro, uma sexta. 

E vocês do Sobretudo, acompanhem o blog: http://blogdas30pessoas.blogspot.com.br/

Sempre fui uma mona lisa

eu sempre fui uma mona lisa mesmo. da vinci não me dava nada. pedia pra eu posar, eu posava. pedia pra eu dá, eu dava. pedia pra eu ajudar na composição das tintas dele, eu ajudava. desde a aquela época que eu existo. desde o renascimento, baby. e agora, só pra variar e nada mais, suspeitam da minha índole.

 

Vá me ver na Tate

vá me ver na tate. a curadoria foi feita por sidney meireles. o sidney, pra quem não sabe ainda, é meu esposo. a expô é uma série de fotografias minhas em meus momentos deprê com sidney longe. o coordenador do museu chamou a pessoa exata pra fazer a curadoria. muito boa a exposição. não perca! até 1º de outubro.

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Tomei no pulso

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hoje tomei no pulso e até agora está sangrando. tirei o champion, as pulseiras-estilosas-de-modinha e enfiei meu pulso na ponta cega da faca e fiquei. tomei no pulso com Luana BarrosElivelton Alves,Ana Karolina e Yasmim Haissa. talvez seja a maior merda feita em toda a minha vida (15×365…). meu pulso tão fechadinho e agora aberto. estou esperando fechar, surgir as cicatrizes. carne viva ainda está meu pulso. ainda doído. cirurgia sem ponto e aberto pra sempre. hoje tomei no pulso por ti e novamente no ku por eles. por pena cortei o pulso. o pulso, ou melhor, o ku(rso). tanto faz.
 

E dei a pintar as unhas

pintei minhas unhas, ou melhor, pintaram-nas. depois de eu tanto insisti pintaram. insisti mais um pouco e deram outra mão. claro que as pessoas estranharam tal vexame. saí hoje pra passear com minha cachorrinha e o pessoal (os transeuntes) não tirava os olhos da coleira. pouco liguei, é claro, e não escondi de ninguém. poderia, mas não escondi. pra quê esconder? fico feliz (feliz também é relativo) quando passo a ser eu mesmo. quando respiro pelo meus poros. quando como com os meus dentes. quando chupo e opto pelo que eu quero. a felicidade bateu na minha porta e eu abri e deixei-a entrar. minha casa (recém comprada. vai fazer três meses que me casei com um gringo. pedi demissão das lojas americanas e to pensando em trabalhar voluntariamente para a copa. primeiro quero aprender inglês, é claro. ele já tá me ensinando. me enganando que vai me ensinar, não sai do verbo to be. i will survive em meio a isso tudo.) toda bagunçada: a pia invadida de pratos sujos e minhas unhas (brilhando cheia de cutículas não removidas) todas ruídas naquelas horas de ansiedade, naquelas horas que ele diz que vem e não vem. sidney, meus esposo, anda chegando muito tarde, sempre com aquele papo de dormir na casa de uma amiga para não se atrasar na reunião do dia seguinte. pelo menos ele não é bi. e se fosse não sou ciumento. mas e eu como fico? esse tempo de chuva e eu sozinho rebolando na cama com brigite a gritar com os trovões. então hoje, cansado da rotina, mandei pintarem minhas unhas das mãos. as do pé não. sidney gosta de roê-las, com certeza brigaria e mandaria eu passar acetona para facilitar pra ele. não costumo gastar com futilidades, também ando apenas de sapato fechado e não cola mesmo fazer a dos pés. diferente de mim, sidney curte demais havaianas. tem uns dez pares diferentes. usa todas nos finais de semana na nossa casa de praia em noronha. porque é o seguinte: eu gosto de fazer tudo que ele me pede. nunca desobedeço. pintei as unhas pra ficar bonito, bonito pra ele. ele sabe que eu gosto de escrever e pintei também pra teclar com mais feminilidade. é das pontas dos meus dedos que saem aqueles textos. pintei pra escrever coisas românticas sobre nosso casamento que pelo menos até agora está dando certo. não sei se pela ausência dele, mas quase nunca brigamos. pintei as unhas e amanhã vou dá um alisante nos meus cabelos. sidney deixou comigo o cartão dele. pra incomodar a todos e fazer um pouquinho só de inveja, estou riquérrima. rica: r-o-l-a. rica! ♥
JOÃO GOMES

Dói-me ser

como é ruim engolir tudo isso: sêmen e palavras. tava quase agora escrevendo sobre o amor que tá me rasgando e me deixando sem dormir e dei backspace. tudo se apagou. voltou pra outra página. pro quandro anterior de mim mesmo. quem sabe, talvez, o da estabilidade. o do silêncio. to tristinho e apaixonado. eu, uma puta de michê e tudo, apaixonada. estou numa melancolia daquelas e, pra quem não sabe, como escreveu fernanda young: melancolia amolece o pau. nada de punhetas, e como eu mesmo escrevi: autopunhetar-se causa tendinite. é sem fonte, sem pesquisa, mas verdadeiro . mostro depois a vocês os calos nos meus dedos de tanto escrever. falando em escrever, essa minha tristeza está fazendo produzir coisas mais sucintas e limpinhas e com possibilidades de serem faladas em público. estou escrevendo algumas dores do amor romântico. poemas onde eu sou o personagem. como é ruim. péssimo! gosto de fingir, entende? mas agora não dá. chegou a hora de ser o enredo e, só pra lembrar, os poemas da época suja não são tão verdadeiros . onde eu conseguiria tanto pau assim? por favor, né! mas é isso, sou meu próprio personagem. não o invento e por vezes ou outra detesto. como dói-me ser!
JOÃO GOMES

A tarde de hoje foi azul

deu uma enorme vontade de chorar. talvez seja a música de fundo deste instante da minha vida: meu tio ouvindo o cd dele de músicas internacionais. mas não, não é isso. é que eu tô com pena, muita pena. saudade de mim mesmo. já sinto saudades de hoje de tarde, do dia de hoje sem nem ter terminado ainda. garanto que toda vez que eu passar pelo local que eu estive hoje eu vou chorar. vou ter que me sentar pra chorar até chegar algum velhinho punheteiro de jornal no colo pra me trazer o lenço que ele limpa suas lentes. pra quem estava comigo, ainda bem que decidimos que a tarde não fosse próxima de minha humilde residência. ia ser choro toda hora. a verdade é que me apaixono pelos locais também. imagina eu, sozinho, chorando e gemendo no frio das ruas do recife antigo. ainda bem que foi em outro canto. tá vendo que deus existe. nem que seja nas coincidências. vivo pra escrever e com isso me dispo. amo os verbos. e ainda há quem suspeite de mim. perdem tempo dizendo que eu sou de indiretas. que eu sou baixo. filhinho, se aceite primeiro que já é um grande passo no litoral de sua falsidade. não, não to chorando por isso. tenho motivos. muitos, muitos motivos. a tarde de hoje foi recheada de momentos únicos. ficaram todos congelados como fotografia na minha memória. queria ter segurado com a ponta dos dedos e nunca mais soltar. neste exato segundo cai uma lágrima e não finjo, não crio ficção pra agora. sou o personagem. o sujeito da oração principal. vivo meu personagem, cumpro minha sina de ator sem projac. hoje estou piega, beirando o vazio com a bunda na janela. to feliz pelo que fiz. incompleto por não ter mais. saciado e ao mesmo tempo insaciado. dá vontade de se matar com esta bipolaridade toda. essa mudança de temperamento. esse arrependimento de mãe de traficante. essa facilidade de puta fácil sem tabela de preços. estão assassinando vivaldi (♥) num piano onde só a nota ‘dor’ tem vez. essa orquestra-vida sem maestro. esse show sem público. essa dor de cotovelo. essa canja sem pão. deus, como dói. o senhor não sente? como dói saber que meus amigos vão ter pena de mim. vão sofrer sem entender esse meu lado abstrato e hermético de ser. esse jeito sem capa de ser, de mostrar apenas a lombada na instante. leio pela capa não vou mentir e por isso que eu tanto a escondo, a capa. o que isso tudo quer dizer com o dia de hoje? sabe que não sei. desculpa você ter lido até aqui. Luuly’s Barros,Elivelton Alves e Ana Karolina são os culpados. só sei que agora tô aqui carente. choroso. sem lenço. com medo. com saudade da tarde azul que foi hoje.

Eu, o amigo do crime

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comecei ‘amar é crime’ ontem no ônibus e terminei hoje (também no ônibus) um mês depois de ter ganhado do marcelino ao responder sobre a natalidade de nelson rodrigues. terminei satisfeito, ri demais com o amigo Jefferson. li alguns dos contos em voz alta. a verdade é que achei o texto muito teatral e por isso delicioso. muitos personagens. minha avó adorou os micros para ler no intervalo da novela. eu não precisa nem falar. Ecilda Freitas riu com todos. ouvir, em toda a leitura, a voz dele, do marcelino freire. incrível como o estilo caracteriza a gente. o ‘amém’ tanto falado por ele na oficina. a forma de contar as coisas. de se preocupar com quem está lendo. e as rimas? e os finais surpreendentes? gostei da experiência de ler um livro de contos com tema central. o amor, no caso deste. o amor figurado em diversas cenas desta vida de loucos, de criminosos. marcelino se agarra no dizer do povo. na língua do povo. ‘porque o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada’, escreveu bandeira em um de seus versos sobre o recife. ele, o marcelino, vem, como todos devem saber, pra se vingar. vem com a linguagem do povo. aprendi com a leitura de ‘amar é crime’ que: não escrevemos para agradar, mas sim para espantar. verbos completamente distantes, mas no entanto possíveis de serem colocados em ação por quem escreve. por quem escreve de verdade. por quem leva a sério a escrita de um texto literário. como não paro nunca, já estou lendo uma seleta de crônicas do rubem braga. muito, muito bom. coisa boa que é ler e escrever. marcelino recomenda muito. ambos. agarradinhos. 🙂

JOÃO GOMES

Yasmim and me

quem vai jogar os ossos pra mim? quem vai catar minhas pulgas? pra quem vou balançar o rabo? minha dona (Yasmim Haissa), vou sentir muita falta de você. só vão restar alguns outros cachorros na carrocinha do nóbrega. (Luuly’s BarrosElivelton Alves e Ana Karolina) merde! que azar esse meu. quem vai pintar minha cara? passar batom nos meus lábios? cobrir com base minhas espinhas? me fotografar toda produzida para a noite? pintar de vermelho minhas roídas unhas? quem, quem, quem? o tempo passou muito rápido, girl. ainda me lembro quando nos falamos pela primeiríssima vez. o primero welcome in my live. e nossas brincadeiras? e o Igor Messias que poderíamos ter divido? e nossa amizade? sim, flor, eu sei que vai continuar. mas e a saudade? vou socá-la onde? é sempre bom se questionar, mesmo quando não se tem as resposta para as perguntas. mas uma afirmação sincera que quero dizer enquanto nossa amizade caminhar de mãos dadas seria: te amo, de verdade! nossa amizade será virtual até quando você se cansar e me excluir do seu facebook. vou me lembrar de tu até quando estiver sofrendo de alzheimer. até quando um dia vier a sofrer de traumatismo craniano. melhor parar por aqui. ficando sem criatividade e não quero soar falso. resumindo, como namorados quando acabam, diria: foi bom enquanto durou. nos veremos por aí. quem sabe pelos banheiros públicos. pontes. centro. boa vista. treze de maio. cinema pornô. apenas fique certa de que nunca vou me esquecer de você. que nossos caminhos se cruzem no futuro. amém, senhor!

JOÃO GOMES