Lendo Manuel Bandeira

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Feliz sem meu pai…

já que todo mundo tá falando deles vou me arriscar também. tu tens? não, não tenho. somente mãe e avó. as duas já preenchem a ausência dele. não me faz falta. na escola, em datas como esta, fazia sim. não aprendi, por exemplo, o jeito macho de ser. o pisar firme. coisas masculinas, e por isso detestáveis, do tipo. cresci no meio delas. vendo demais a coisa e por isso mesmo hoje detestando. brinquei na infância com meninas, sem saber que, no futuro, iria me distanciar amorosamente delas. pai pra mim é coisa complexa e ainda bem que não tenho um. já é de saber que aprendemos com nossos pais este amor incondicional e posso dizer que a minha mãe e a minha avó já me passam esse amor sem limite. afeto falso de marketing e presentinhos não dizem nada. um beijo de batom basta. um abraço apertado idem. só beijos e abraços que marcam. já que não tenho um, observo as pisadas e ações héteras dos que ainda tem. vejo, por exemplo, o quanto meu primo se lasca sem nada fazer. sem falar na inaceitação de escolhas do menino. é revoltante encontrar alguém ainda em seio materno e já criando na falsa cultura e na era da desinformação um filho. ensina tudo errado. cresci livre. sem pai. cantando e ouvindo xuxa, rita lee e todos as coletâneas de músicas dos anos 70, 80 e 90 que minha avó comprava na revista avon. gloria gaynor começou a vibrar cedo demais nos meus tímpanos. tina charles também. ainda me lembro quando estourei a caixa de som e culpei alguém. a pisa ia ser pra ficar dias sem andar. tive, mesmo assim, uma edução boa para o que sou. eu que joguei no lixo a doutrina protestante que minha mãe até hoje segue. minha avó que é a ímpia. me too. gosto de ser livre. eu que crio minha doutrina, minha moral começa no momento em que estou livre. livre também pra dizer o que penso. é isso. pai morto e eu aqui tirando onda. vivo. como escreveu mário prata numa de suas deliciosas crônicas: ‘filho é bom, mas dura muito.’ feliz dias dos pais pra todos, de coração.

JOÃO GOMES

hoje está um dia alegre

estou terminando de ler ‘hoje está um dia morto’ doAndré de Leones para começar ‘seminário dos ratos’ de lygia fagundes. sobre o livro de leones: gostei demais dos personagens e da maneira que ele aborda a realidade da juventude brasileira. confesso que me vi bastante, afinal tenho a idade do jean. ri muito com algumas cenas e acho fantástico a presença de deus na história. esse li rápido, sendo esta a segunda tentativa. não conseguia nunca. toda vez deixava até que dessa vez, quando conheci morena e fabiana, segui em frente. comecei sexta com Jana Vasconcelos ao meu lado. ela lá vendo a partida de vôlei e eu lendo. li para completar as minhas leituras do prêmio sesc de literatura de 2005. Lucia Bettencourt(autora de ‘a secretária de borges’) e André de Leones estão de parabéns pela qualidade literária dos textos naquele ano. vou lá ler a inventora de memórias lygia fagundes telles já que não tenho em mãos ‘filandras’ de adélia prado. não to querendo dizer que lygia é uma tapa buraco, hein!? questão de ♥ aos livros mesmo, de leitura continuada.

Um terremoto na cidade sem ponte

como uma pessoa que escreve, conto e invento tudo. não escrevi para você ler. foi uma catarse (desabafo). não foi uma indireta. seria pior, muito pior mesmo, se fosse. daria fôlego ao vulgar que tenho depositando na minha incipiente loucura. optei pelo inverso. falo, meu lindo, de uma forma poética fatos diversos que acontecem no meu dia-dia. é uma maneira de se despir. é o mesmo que tirar toda a roupa e por o pijama para ir dormir bem. botar no travesseiro ralo a cabeça sabendo consciente do que é tendo em campo de visão os inimigos que o rodeia. infelizmente, ou até mesmo felizmente, você faz parte da minha vida. amo sua existência. fico pensando seriamente se você não existisse. o texto (http://wp.me/p2xiAI-7X), tão revoltoso e tenso, não sairia se você não existisse. teria que inventar, fazer ficção, apesar que isso pra mim não seria problema. indireta é outra coisa. vou voltar a escrever outros textos sobre você. vou ser o psicólogo que seu pai paga em vão. to colecionando detalhes teus para fazer uma sopa de letras: um livro. és um personagem complexo, pelo menos já é criado. tua falsidade é coisa pra ser narrada em cenas e divididas por capítulo. pelo menos é o o que me falam e nessas horas, my dear, fico só ouvidos. tua história em âmbito escolar daria para fazer um livro de mais de 500 páginas. eu leria (escreveria), claro. leio (escrevo) tudo. até o que não quero. deverias ter agradecido por ter sido pauta no meu tão ocupado tempo de escritor. passar bem, alex.