Meu primeiro poema encomenda

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Como seu eu fosse um escritor profissional, uma amiga me pediu para escrever sobre o seu filho. Logo eu que trabalho com a espontaneidade do momento, que tiro fotografia do instante… não pela insistência,  mas sim com uma excessiva vontade,  estou aqui agora escrevendo isto. Ai, môdeus, o que falar deste menino tão lindo da foto? Na verdade o que foi encomendado foi um poema, mas confesso que é difícil se arriscar para tal enxerimento e um texto em prosa é mais fácil e qualquer um pode escrever. Mas vou tentar e tentando sei que vai sair isso aqui, ó:

COMPAIXÃO

olha sorridente pra lente arthur
distante da mãe carente pela sua falta
do outro lado do continente 
forjando e no mesmo ausentando
em seu olhar de menino ainda pequeno 
esta tristeza de dias longe
trancando em seu coraçãozinho e
apertando no peito essa coisa humana
que é a saudade de instantes 
de embalos maternos
desconhecendo qualquer
coisa que aconteça em sua volta.

menino de olhar quieto
não sei se pelo congelar da foto
vejo-o fotogênico por demais
gerado no descuido do não pensar
vindo parar aqui por se optar 
sendo expulso do aperto da placenta 
numa época por assim se dizer nojenta
onde dois nós se amarravam num só
escorregado pela força do aperto 
num momento de um aperreio e de perdões sem vez
mas bem recebido desempenhando 
como um funcionário que entrega 
toda sexta seu relatório semanal
a sua maior função dando outro aspecto, 
este último prolongadérrimo,
trazendo o cheiro de novo no que começava a feder 
implantando dentes para sorrisos à mostra
trazendo na imagem a beleza
que sabemos que vem de dentro
lembrando o dna dos seus reprodutores
e tingindo a alvura do lençóis que o cobre
os lençóis que jamais serão rasgados 
ou quem dera trocados por outros. 

o destino suspenso na constelação do céu do meu quintal
o silêncio deste inocente tema principal da vez
as lágrimas que são argumentos desta mãe
a saudade roxa que vai como souvenir 
nesta mala junto ao paninhos e made in
carregada neste aeroporto de pipas
respondendo no check-in por amor
e pesando mais que chumbo quando carregada
por quem se oferece a ajudar.
esta mãe-piloto que nada sozinha no seu hialoplasma
de olhar concentrado e preocupação em seu alvo 
que está sempre longe
amola a faca da minha piedade
e, como quem tem fome,
demasiadamente me consome.

16.09.12
JOÃO GOMES
(poeminha encomenda)

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