O amor não emite nota fiscal

Gosto da pessoa e não do que ela carrega na carteira.

Sinto tesão por qualquer tipo de homem, independente de sua classe social.  Não sou, e fico feliz por não ser, mulher. Dizem as más línguas que elas não gostam de homens, elas gostam de grana, gostam de ser bancadas. Apesar de eu não ser do tipo, acho que não são todas que estão no mesmo pacote e encarregadas a cumprir a mesma sina.

O maior mal das pessoas é rotularem as muitas coisas do seu cotidiano de sua maneira.

Há as que têm interesse somente no capital do homem versus as que têm interesse na troca de amor, de afeto entre ambos no decorrer da vida, sendo um amando o outro verdadeiramente até que a morte os separe.

Então, o erro do conjunto é rotular as coisas. Rotulam sem dó: políticos (em parte, eles fazem por onde), homossexuais (somos todos iguais, independente do que fazemos num quarto escuro com outro ser), moradores de comunidade carente (nem todos traficam e há muitos pais de família pelo menos no comando de sua humilde residência) e tantos outros seres pluricelulares que habitam este planeta.

Somos pessoas e não pastas num grande arquivo que de tão grande é necessário a etiqueta, o adesivo e a rotulação para facilitar a busca.

Em questão de amor, tudo que faço com o outro é de acordo com a minha livre e espontânea vontade. Se na hora tiver pretensão e o desejo for simultâneo entre ambos, faço ali mesmo sem pensar mais de duas vezes para dá start ao ‘serviço’. Não estou querendo dizer que cobro, afinal nem todos que eu conheço possuem no bolso grana e muito menos uma carteira para guardar, se os tivessem, seus documentos pessoais. É, isso mesmo: faço com indigentes. Pessoas sem condição de suprir suas próprias necessidades, mendigos limpos (20% dos casos) que se banham no tanque da mesma praça que em dias de semana flanelinhas lavam os carros de seus fregueses (acho lindo isso: ‘fregueses’ porque pagam o serviço deles) e nos fins de semana moradores de rua colocam a primeiro plano, no mesmo tanque, sua higiene pessoal. Faço mesmo e não estou querendo confundir aqui amor carnal com o amor ágape trabalhado no best-seller de Rossi.

Nada tem a oferecer um cão a uma cadela, mas eles se amam e se sentem quando ela está no cio (experiência do meu olhar, pela cambada de cachorros que tem a minha avó).

O amor natural não é vendido em potes de supermercados, por isso que não gera cupom fiscal, e nem trabalhado em terapias de grupo; começa na gente, quando desejamos que comece, afinal analisar um problema até nós podemos fazer isso e é muito diferente de curá-lo. Sejamos nós próprios o ministrante da oficina de amor natural, tendo como carga horária de curso toda a nossa vida. Acredite: o diploma que a gente leva é uma morada no céu (mentira): ame, ame sem pensar na troca por algo.

O amor, assim como uma pessoa, se estica todos os dias, sabendo ele, antes de acontecer tal crescimento onde parar, para com sucesso sempre conseguir passar pela porta da casa dele ou dela, sem ultrapassar o teto. A questão aqui não é anatomia, mas o amor deve, sendo-o grande ou ainda em fase de crescimento, presença absoluta em qualquer relação.

O verdadeiro amor é aquele onde a dose de tão perfeita que é que o mais necessitado se cura de todos os seus males. O amor é o brinde simultâneo da festa vida. O amor, havendo muito ou pouco na despensa, é o amor. Somos todos iguais nesse cabaré e, lembre-se, somos o que somos e não o que temos na carteira, na bolsa ou no corpo. E mais não digo, somente ame, ame e ame.

JOÃO GOMES
28.10.12

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Na sua ausência (na hora do apagão)

Na hora do apagão gritei esse meu texto na frente do notebook aproveitando o restinho de energia que ainda tinha nele…

NA SUA AUSÊNCIA, do meu blog Diário Sujo 

o casaco da casca na asma da alma a lama da mala a ala alinhada a baba da aba badalada na balada adiada na chupada rápida tântrica sem gala sem leitinho com pentelhos desejo dejeto objeto esquecimento enfurecimento amadurecimento cimento pica de aço coisinha reta manchada de merda da última digestão sugestão de limpar com o guardanapo descolado na lanchonete da esquina limpa com um boquete suga o que te pertence não enche de baba não morde lambe engole quando sair sumir não resolve tenho no bolso direito um revólver me invoco e te envolvo te recolho te removo teu sangue vai ser ketchup pro meu pastel e isso resolve acalma a minha fome se encosta no poste peste passa o pente nos meus pentelho esquece o pôster no poste tu não vai é caro teu vício não deixa tua profissão é na hora do show se concentra no meu cacete chupa talvez chova baratas correm a chuva vai alagar a noite talvez eu não goze mais hoje olhe haja vontade de tomar leite insatisfação pelo seu faltar não façam e nem pensem em formar filas minha mulher está viajando evitando a aviação retornando pelos mares e eu perdido no crivo da minha espera a espero sentado sendo ora chupado no poste que ilumina alcançando a varanda do meu apê ou na poltrona da sala em que ela assiste a sua novela das oito para aí sim ciente e carente e sem necessitar de perdão  contaminá-la com minha sífilis queimando com o bocal folgado as lâmpadas do nosso show.

JOÃO GOMES
https://diariosujo.wordpress.com/

Um cutuque em si mesmo

Poderia mentir, mas vou falar a verdade porque a verdade cala. Ou não. É o seguinte, venho me incomodando comigo mesmo nestes dias e por estar contido em mim isso me faz perder a concentração até nas coisas mais bobas que faço. Como, por exemplo, ajudar a minha avó a catar feijão. Por ser uma ajuda simples, catar feijão não tem supervisão. Por não ter, horas depois mastigo, com o macarrão que sempre vira papa, pedras ditas catadas na embalagem do produto. Ensinaram-me semana passada que o antônimo de bem é mal com ‘éle ‘e eu consegui captar direitinho sabendo que nunca mais vou errar. Quem dera isso ajudasse… Mesmo assim, obrigado que ensinou.

Então,  este incomodo que falo e procuro o que falar me deixa muito mal. Claro, o que se poderia esperar de um cutuque em si mesmo? O próprio dedo é ruim e bom mesmomesmo é o do outro.  O nosso a gente sempre tira e o do outro a gente deixa, mesmo sendo aqueles cabeçudos e personalizados, coberto por uma unha lixada. Não estou querendo dizer que não podemos sofrer e se encher da gente. Não, não é isso. Sartre, filósofo existencialista, já disse que ‘o inferno é o outro’. Não discordo. Só acho que no meu caso eu sou o culpado e não é de responsa de ninguém esta minha momentânea frescura.

Bom, e o incômodo fica onde? Se eu fosse usar a analogia do dedo que usei para chegar até aqui , diria que no ânus. Mas sei que com toda metáfora e personificação não cabe dentro dele essa minha inquietude que me rasga com mais exclusividade que um pênis de ferro no poder do Viagra ( por conta da minha inquietude, hoje dei a usar o nome científico da coisa. Terei medo em saber e curiosidade em descobrir  que o cu, além de ânus, tem outro nome digamos correto por ser o científico. Se tiver me avisem!). Então, estou  inquieto e mal. Meu dente deu a doer e Deus continua pregando a brincadeirinha de mal gosto em mim. Ah, mas eu sou uma pessoa boa. Umas quatro vezes dei esmola, que somando se subtrairá  em dois paus da minha economia. Deu tá dado, João, isso não ajuda! Procê ter uma noção, minha bochecha ficou inchadona por dois dias, como seu eu estivesse chupando um pirulito daqueles do cabeção. Inda bem que já estou melhor…

Hoje, 22, dia que concluo essa crônica, meu dente não dói tanto quanto doeu ontem e antes de ontem. Sinto-me bem melhor pela dor que para minha (não sei se nossa) alegria diminuiu. Ah, outra coisa, meu dente não tem mais jeito e, para futuramente não sentir mais dor, vou extraí-lo. Quem dera pudesse tirar sem morrer também esse meu coração inquieto que vive a bater numa desconexa irregularidade… Desculpe-me, mas não queria terminar assim. To parecendo aquelas meninas que leem frases de Tati Bernadi no site pensador e dão ibope a novela rebeldes e todo texto que escreve inicia com um querido diário. A verdadeira e única desculpa para esse desfecho é que hoje estou muito sentimental, satisfeito por ter ouvido toda a tarde Mallu Magalhães e Adriana Calcanhoto e por estar na antologia Granja com um conto que traduz a minha infância  com pintadas de ficção e estando, por tudo isso e um pouco mais, desativado meu lado bad girl. O jeito é esperar melhorar…

JOÃO GOMES.

Há dois anos atrás e a árdua saudade de mim

 não me resta dúvidas quando penso em voltar os anos. costuma-se dizer que o pior ano é sempre este, ou seja, o que estamos. se fosse 2010, ele seria o pior. estamos, como todos devem saber, em 2012 e para algumas pessoas fica uma dúvida extra: este é o pior ano e quiçá o último? se é, pra mim tá bom. virgem não vou morrer. a mesma brincadeira aconteceu com o ano 2000, minha avó que me contou. eu tinha 4 aninhos e não me preocupava com nada. chupava muito confeito para sentir só agora essa dor de dente que não passa e era que nem um cachorro que vive sua vida feliz e sem saber que um dia pode morrer num atropelamento. revelaram-me a morte e vejo de onde estou o fim. só sei que vou me mexer muito no túmulo… então, tenho o ano de 2010 como memorável. neste ano comecei a ler (ler livros e não me alfabetizar) e troquei para uma escola dita melhor por uma tia. ganhei um celular motorola Z3 de 700 paus da minha avó, que eu costumava dizer, na época, que ele subia. para minha não-alegria, o final que teve o aparelho (que eu tanto amava e gostava de tirar muitas e muitas fotos como, por exemplo, estas dos post) foi um assalto próximo da minha casa quando na ocasião explicava com o bicho grudado no ouvido (todo demente que eu era) o motivo de eu não gostar de ler agatha christie. mas eu não lia nada! explicava o que não entendia. meu primeiro livro foram as crônicas de mario prata, ainda lembro. lembro também que pulei as crônicas de futebol por saber que eu não ia entender nada. é, na época eu já pensava um pouquinho. naquele ano também comecei a escrever. comecei escrevendo sobre minha nada convencional família e sobre a minha vida tão merdinha que eu tinha na época (não é mais?) consequentemente por não entender nada de nada. não gosto e não mostro nem pagando esses poemas. são horríveis! mas sei que eles eram horríveis pelo motivo de na época eu ler muito pouco, ou melhor, começava ainda a ler  escolhendo a melhor posição para segurar o livro tentando fugir do sono que sempre vinha na segunda linha. mas tudo bem. o que importa é que passou e que vivi aquela época e somente as fotos tirada pelo Z3 para voltar e me rever matando (ou tentando) a árdua saudade que sinto de mim e da minha cara sem nenhuma espinha.

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Balacobaco, de Rita Lee

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ontem rita lee curou minha dor de cabeça e hoje foi comigo para o centro. ouvi seu cd ‘balacobaco’ diversas vezes e melhorei da brincadeira de mau gosto que deus vem pregando em mim nesses amaldiçoados dias que não desejo a ninguém. te amo rita!
BALACOBACO
Rita Lee

Acordo às 5 da matina
Reclamando da rotina
Dou um trato na faxina
Vida dura de heroína

Minha cara de caveira
Vai abrir a geladeira
Esqueci de fazer feira
Vou fuçar lá na lixeira

Uma espinha pro gatinho
Pro cachorro um ossinho
Requentar o cafezinho
E sair apressadinho

Todo dia atrasada
Já estou acostumada
Condução sempre lotada
Vida dura de empregada

Refrão:
Pára o mundo
que eu quero descer
Tem muito vagabundo
atrás do meu jabaculê
A vida é uma sinuca
Mais confio no meu taco
Meu borogodó
é do Balacobaco
Do Balacobaco

Minha patroa é estranha
Passa o dia só na cama
O marido bebe grana
A mais velha é piranha

A do meio é patricinha
O mais novo é mocinha
Meu lugar é na cozinha
Vida dura de fuinha

Motorista xavecando
Jardineiro azarando
Porteiro se assanhando
Ê, vou logo avisando

Meu amor é pra quem pode
Quem não pode se sacode
Pode amarrar seu bode
Com a minha cabra ninguém fode

Repete refrão

Sirvo a janta e vou embora
Já passou da minha hora
Abusando é que demora
Vem a chuva e piora

Caminhando na calçada
Medo de ser assaltada
Medo de ser seqüestrada
Medo de ser estuprada

Sou escrava independente
Ganho menos que indigente
Não posso ficar doente
Amanhã tô no batente

Vou rezar para Jesus
aliviar a minha cruz
Meu buraco não tem luz
Vida dura de avestruz ♪♫

Quer dar dê logo

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A minha avó pediu, certa vez, ao meu tio dois paus para comprar quatro picolés de saquinho. Ele, mau filho que é, disse que dava depois. Minha avó, dada a provérbios e frases fodonas, me disse, quando contou: quem quer dar, dá logo. Concordei demais com o que ela disse. De imediato utilizei a frase em outros casos da vida, em especial a minha.

Gente, vamos combinar, mas dá o rabo dói. Que dói acho que todos sabem, mas o que nem todos devem saber é que quando é a gente que quer dá dói menos. Recapitulando: quando a gente quer dá a gente aguenta esquecendo a dor. Complicado mesmo é ser estuprado. Uma amiga me disse uma noite, quando atravessávamos uma ponte deserta próxima à Livraria Cultura do Recife, que preferia morrer que ser estuprada. Eu não, se for bonitinho, prefiro ser estuprado, desde que ele seja daqueles que usa preservativo e em especial no momento que estiver me estuprando. Mas, pensando direitinho, bonitinhos não estupram. Eles tem, nem que seja indo naqueles programas com quadro de “Pega ou passa”, a garota que quiserem. Deixa isso pra lá. Acho que o difícil é que tem homem que não curte usar porque brocha. Este mundo é maluco mesmo.

Então, quando a gente quer dá agente dá logo. Nada de voltinhas sem necessidade quem nem cachorro quando quer colocar pra fora aquele toletinho preso. Citando um pouco de literatura, o poeta Miró de Muribeca escreveu um versinho no seu livro DIZcrição que é assim ó: ‘quem fala demais não atira’. Está aí outra frase prima da primeira. Há aqueles que dizem que dá e não dá, ou seja, enrolam. Tenho alguns amigos gays que acham foda demais dizer que deu pra não sei quem e, de acordo com quem seja, sabemos ou imaginamos, mais ou menos, o tamanho do pirú do dito cujo. Não sei por que, mas ‘pirú do dito cujo’ me fez lembra de  pirulito. Concluo que pensar demais nos leva a ereção, não é verdade?

O gostoso da vida é isso. Uns dão, outros não tem coragem; uns deram até demais que nem sente quando colocam. Uns brincam dizendo que não dói e que só faz cócegas. Eu prefiro não dizer nada. Nem gemer eu gemo. Um amigo me falou pra, na hora da transa,  colocar algum cd de ópera e acompanhar cantando enquanto ele não gozava. Ainda não fiz isso, não vou mentir. Mas penso. Meu sonho, logo quando comecei, era dá pra um menino, que felizmente eu já dei, ouvindo Just Dance da Lady Gaga. Não realizei meu sonho por que no dia havia esquecido meu MP4 em casa e ele não tinha a música escolhida no seu celular e não queria me deixar voltar para pegar meu aparelho. Não, não fui estuprado. Aceitei o ‘não’ dele quando ele já tirava a bermuda e matei, como sempre mato, mais um dos sonhos, ou desejo de mulher grávida, da minha vidinha de merda. Então fica a dica: se quer dar, como diz a minha avó, dê logo, pois num estupro não terás opção. E só.

JOÃO GOMES