Quer dar dê logo

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A minha avó pediu, certa vez, ao meu tio dois paus para comprar quatro picolés de saquinho. Ele, mau filho que é, disse que dava depois. Minha avó, dada a provérbios e frases fodonas, me disse, quando contou: quem quer dar, dá logo. Concordei demais com o que ela disse. De imediato utilizei a frase em outros casos da vida, em especial a minha.

Gente, vamos combinar, mas dá o rabo dói. Que dói acho que todos sabem, mas o que nem todos devem saber é que quando é a gente que quer dá dói menos. Recapitulando: quando a gente quer dá a gente aguenta esquecendo a dor. Complicado mesmo é ser estuprado. Uma amiga me disse uma noite, quando atravessávamos uma ponte deserta próxima à Livraria Cultura do Recife, que preferia morrer que ser estuprada. Eu não, se for bonitinho, prefiro ser estuprado, desde que ele seja daqueles que usa preservativo e em especial no momento que estiver me estuprando. Mas, pensando direitinho, bonitinhos não estupram. Eles tem, nem que seja indo naqueles programas com quadro de “Pega ou passa”, a garota que quiserem. Deixa isso pra lá. Acho que o difícil é que tem homem que não curte usar porque brocha. Este mundo é maluco mesmo.

Então, quando a gente quer dá agente dá logo. Nada de voltinhas sem necessidade quem nem cachorro quando quer colocar pra fora aquele toletinho preso. Citando um pouco de literatura, o poeta Miró de Muribeca escreveu um versinho no seu livro DIZcrição que é assim ó: ‘quem fala demais não atira’. Está aí outra frase prima da primeira. Há aqueles que dizem que dá e não dá, ou seja, enrolam. Tenho alguns amigos gays que acham foda demais dizer que deu pra não sei quem e, de acordo com quem seja, sabemos ou imaginamos, mais ou menos, o tamanho do pirú do dito cujo. Não sei por que, mas ‘pirú do dito cujo’ me fez lembra de  pirulito. Concluo que pensar demais nos leva a ereção, não é verdade?

O gostoso da vida é isso. Uns dão, outros não tem coragem; uns deram até demais que nem sente quando colocam. Uns brincam dizendo que não dói e que só faz cócegas. Eu prefiro não dizer nada. Nem gemer eu gemo. Um amigo me falou pra, na hora da transa,  colocar algum cd de ópera e acompanhar cantando enquanto ele não gozava. Ainda não fiz isso, não vou mentir. Mas penso. Meu sonho, logo quando comecei, era dá pra um menino, que felizmente eu já dei, ouvindo Just Dance da Lady Gaga. Não realizei meu sonho por que no dia havia esquecido meu MP4 em casa e ele não tinha a música escolhida no seu celular e não queria me deixar voltar para pegar meu aparelho. Não, não fui estuprado. Aceitei o ‘não’ dele quando ele já tirava a bermuda e matei, como sempre mato, mais um dos sonhos, ou desejo de mulher grávida, da minha vidinha de merda. Então fica a dica: se quer dar, como diz a minha avó, dê logo, pois num estupro não terás opção. E só.

JOÃO GOMES

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