Um cutuque em si mesmo

Poderia mentir, mas vou falar a verdade porque a verdade cala. Ou não. É o seguinte, venho me incomodando comigo mesmo nestes dias e por estar contido em mim isso me faz perder a concentração até nas coisas mais bobas que faço. Como, por exemplo, ajudar a minha avó a catar feijão. Por ser uma ajuda simples, catar feijão não tem supervisão. Por não ter, horas depois mastigo, com o macarrão que sempre vira papa, pedras ditas catadas na embalagem do produto. Ensinaram-me semana passada que o antônimo de bem é mal com ‘éle ‘e eu consegui captar direitinho sabendo que nunca mais vou errar. Quem dera isso ajudasse… Mesmo assim, obrigado que ensinou.

Então,  este incomodo que falo e procuro o que falar me deixa muito mal. Claro, o que se poderia esperar de um cutuque em si mesmo? O próprio dedo é ruim e bom mesmomesmo é o do outro.  O nosso a gente sempre tira e o do outro a gente deixa, mesmo sendo aqueles cabeçudos e personalizados, coberto por uma unha lixada. Não estou querendo dizer que não podemos sofrer e se encher da gente. Não, não é isso. Sartre, filósofo existencialista, já disse que ‘o inferno é o outro’. Não discordo. Só acho que no meu caso eu sou o culpado e não é de responsa de ninguém esta minha momentânea frescura.

Bom, e o incômodo fica onde? Se eu fosse usar a analogia do dedo que usei para chegar até aqui , diria que no ânus. Mas sei que com toda metáfora e personificação não cabe dentro dele essa minha inquietude que me rasga com mais exclusividade que um pênis de ferro no poder do Viagra ( por conta da minha inquietude, hoje dei a usar o nome científico da coisa. Terei medo em saber e curiosidade em descobrir  que o cu, além de ânus, tem outro nome digamos correto por ser o científico. Se tiver me avisem!). Então, estou  inquieto e mal. Meu dente deu a doer e Deus continua pregando a brincadeirinha de mal gosto em mim. Ah, mas eu sou uma pessoa boa. Umas quatro vezes dei esmola, que somando se subtrairá  em dois paus da minha economia. Deu tá dado, João, isso não ajuda! Procê ter uma noção, minha bochecha ficou inchadona por dois dias, como seu eu estivesse chupando um pirulito daqueles do cabeção. Inda bem que já estou melhor…

Hoje, 22, dia que concluo essa crônica, meu dente não dói tanto quanto doeu ontem e antes de ontem. Sinto-me bem melhor pela dor que para minha (não sei se nossa) alegria diminuiu. Ah, outra coisa, meu dente não tem mais jeito e, para futuramente não sentir mais dor, vou extraí-lo. Quem dera pudesse tirar sem morrer também esse meu coração inquieto que vive a bater numa desconexa irregularidade… Desculpe-me, mas não queria terminar assim. To parecendo aquelas meninas que leem frases de Tati Bernadi no site pensador e dão ibope a novela rebeldes e todo texto que escreve inicia com um querido diário. A verdadeira e única desculpa para esse desfecho é que hoje estou muito sentimental, satisfeito por ter ouvido toda a tarde Mallu Magalhães e Adriana Calcanhoto e por estar na antologia Granja com um conto que traduz a minha infância  com pintadas de ficção e estando, por tudo isso e um pouco mais, desativado meu lado bad girl. O jeito é esperar melhorar…

JOÃO GOMES.

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