Quase diário | 27.11.12

Querido diário,

Hoje meu dia não foi muito diferente dos outros. Acordei às 09h e preferi, como sempre, não tomar café. Gosto de passar a manhã toda em jejum, mas não faço promessa e não intercedo por ninguém e não creio em nada. Não acredito em mim e não tenho meta e não subo, de joelhos, morro.  Graças a Deus sou ateu (brinco, mas de fato não sei).

Assim que me levantei da cama, fui ver, no antigo relógio de parede, a hora. Uma gostosa hora de se acordar. Tinha ido dormir tarde na noite passada e fique feliz por ter dormido as recomendadas oito horas, coisa que nunca cumpro. Pus os chinelos e fui fazer minhas necessidades (x1). Assim que cheguei no vaso e pus pra fora meu pinto percebi, como matinalmente sempre ocorre, que ele estava ereto por conta do mijo. Urinei suave, sem fazer muita força e barulho e voltei para o quarto pensando na sensação que uma mulher nunca vai ter de sentir um negócio pendurado balançando entre as pernas. Escovei os dentes com minha escova de cerdas já quase careca e espremi algumas espinhas ainda verdes e tomei um banho rápido banho e fui arrumar minha bolsa para sair. Sair para qualquer lugar, sair para aproveitar o dia, o dia que se deu sem aula.

Arrumei minha simples bolsa bem feminina e de ombro, souvenir de divulgação do banco Itaú dado na Fliporto deste ano, e fui para a parada de ônibus. Bem que eu poderia ir andando, mas não, tinha que gastar a passagem só porque não tinha ido à escola. É este o meu consumo consciente, apesar de achá-lo bem louco. Só porque não gastou hoje que amanhã já fica certo gastar o dobro, ou seja, gastar hoje por hoje e por ontem. Sou assim e assim continuarei sendo sempre.

Entro no ônibus. Estrategicamente procuro me sentar no lado que não bata sol e abro um livro de crônicas de Arnaldo Jabor. Começo a ler uma crônica e fico rindo alto, mesmo com todos me observando com desagradáveis olhares. Poucas são as pessoas que se sentem bem com a felicidade alheia. Não ligo e continuo rindo até me lembrar de outro grande cronista nosso, o Verissimo, que, pelo que venho acompanhando, está super mal de saúde.

Chego à biblioteca do SESC Santa Rita e passo todo o dia online no Facebook, leio algumas revistas e depois começo a esboçar um conto que não deu certo. Logo em seguida assisto, quando vejo que o feed de notícias não está assim tão interessante, uma das edições do programa ‘Sem vergonha’, transmitido pela MTV que é a única emissora que assisto, onde a convidada é a Ariadna, aquela transexual que passou pelo BBB. Rio, rio bastante com as confissões dela e começo a enxergar um quê de inteligência nela na hora de falar em sexo e coisas genéricas do tipo. Apesar de sua arranhada voz de homem igual a mim, sinto um misto de satisfação por sua determinação e coragem de querer e se fazer assim, realizando o sonho de ser outra pessoa, coisa que eu muito queria fazer se tivesse capital.

Depois de passar todo o dia no Sesc, rindo e conversando com amigos, chego em casa e resolvo começar a leitura de um romance da carioca Elvira Vigna, ‘Nada a dizer’, e depois ouço um pouco de música ambiente misturado com jazz e instrumental no meu Mp4 Philips e já sem aguentar prego os olhos e, finalmente, vou dormir. Fim do meu dia.

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