Quase diário | 28.11.12

Querido diário,

Hoje fui, mesmo sem já aguentar, à escola. Final do ano vai chegando e a gente vai perdendo as forças, vai brochando o pinto tão duro no primeiro dia de aula. Só vou porque tenho que tentar me recuperar (em vão) em matemática, física e química. Fora isso, eu não iria. Logo eu, tão passivo, tão preguiçoso na hora de usar o pau. Mas fui, e gozei.

Na escola, com os infindáveis cincos dias sem ver os amigos, chego e todos gritam o ‘biba!’ de sempre. É, os mais íntimos me chamam assim. Brinco com eles que meu nome é Biba e não Boba, tudo só pra descontrair a ociosidade do dia. Gosto muito dos meus amigos da escola, pelo menos o grupinho que eu convivo mais tempo nas dez horas que passo naquela prisão. Luana, Elivelton, Yasmim, Letícia e Ana Karolina formam comigo a turma da baderna lá na escola. É nas nossas descontraídas conversas que eu aguço o meu dom poético e patético chegando aos microcontos que preenchem a minha literatura.

Na escola hoje fomos ao Cinema São Luiz, no projeto Cine Cabeça. Assim quando a gente chegou num dos mais antigos cinemas do Brasil (?) os arte educadores, como tinha que ser, começaram a proposta pedagógica do projeto: ‘mostre o seu talento’, ‘gentileza gera gentileza’ e outros do tipo. Confesso que só compareço aquilo por conta da ideia de mostrar filmes um pouco interessante, logo eu que não curto pegar cinema. Mas nessas horas topo ir, mas não é para matar, como muitos na escola fazem, aula. Vou porque gosto de assistir os filmes e de paquerar o pessoal da equipe.

Nesta quarta e última sessão, na ida ao Cine com a escola, me decepcionei em peso. Achei péssima a seleção de filmes escolhidos para mostrarem pra gente, que na verdade foram seis curtas-metragens. Acho que tudo na vida depende da nossa opinião e é impossível gostar de tudo. Então, não gostei de nenhum dos filminhos que exibiram, onde o roteiro era sempre sobre pessoas nordestinas e a condição social de fulanos e fulanas que vivem no sertão, coisa bem documentária. Para ser sincero não gosto desses tipos de amostras na sétima arte. Quando é a poesia de João Cabral ou, mesmo sem ter lido muito, a prosa de Graciliano Ramos, até vai. Mas não, não gostei de nenhum dos filmes e tive que fazer de tudo um pouco no escurinho do cinema, menos olhar pra tela.

O ruim de ir nesses projetos com a escola é que a gente tem que obrigatoriamente continuar sentado, fingindo comportamento e escondendo nossas origens. Não suporto fingir, gosto de sorrir com meus dentes e comer com a minha boca. A verdade é que, se eu pudesse, teria saído para comprar pipoca pra nunca mais voltar. Mas passou, como sempre passa, o tempo. Na mesma burocracia para chegar tornamos, num ônibus velho de rodoviária, à prisão onde nossos pais nos obrigam a permanência.

Já na escola-prisão almocei uma refeição até melhor que nos dias anteriores e fui para a biblioteca, tentar fazer uma postagem no blog ao qual eu colaboro, o Blog das 30 Pessoas. Com a previsível  WIFI da escola, que pega até carregar a página do Google, tento, em vão, na busca pesquisar por ‘blogger’ para começar a edição da minha mensal colaboração no blog citado. Desisto, por não funcionar na velocidade que eu quero, de tentar. Mesmo assim, ainda tem os mais pacientes, que continuam sentados nos computadores da biblioteca da escola na tentativa sempre primeira de fazer aquela pesquisa que o professor cobra sem nem querer saber da dificuldade que foi chegar àquela impressão onde ele, sem nem olhar, só dá um visto.

Fica até parecendo que eu sou aquelas velhinhas que a única coisa que sabe fazer na vida é reclamar. Não, também não sou assim. Mas o dia de hoje foi de lascar, só aborrecimento. Para fuder a tabaca de Xôla, às 15h na escola, não serviram o lanche. Só tinham para servir suco e todos, já revoltados, foram brigar e argumentar pelo complemento (bolinhos, biscoitinhos Maria e genéricos) que não veio. Então, como não tinha este maldito complemento, todos foram liberados e livrados das duas últimas aulas do dia. Agradeci muitíssimo ao Altíssimo por tal decisão, só assim consegui me livrar da chatíssima aula de robótica.

Feliz da vida, passo pelos portões da escola, pego um ônibus e vou para um lugar onde de fato me sinto bem. Fim do meu dia (até às 17h).

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