eles não entendem quando eu não quero ser puta. entenda, por favor, o meu direito de ser e deixar de ser. é simples, não é todo dia que funcionamos. tem dia que estou cansado, estou mal, sem forças. não sou aquelas putas que sabem falar uma mão completa de idiomas e não aprendeu a dizer Não em nenhuma. estranho seria nunca querer. hoje não quero. olhando bem talvez seja o horário, não, não falo dos fusos. é cedo ainda. tenho que fazer ducha. liga depois, júnior, vou tá na frente do mercadinho te esperando. beijo. tá, eu ligo.

essa madrugada fiz a maior aventura da minha vida. poderia agora estar morto se ele fosse uma pessoa mal, mas ele era fantástico. gostava de poesia e me ouviu sem reclamar. môdeus, foi tudo tão rápido. tudo tanto. uma mão que me chamou. um Vamos lá em casa, lá é melhor, argumentado. eu, todo humano e inexperiente, no começo recusei. tive medo. mas fui. fui e deixei, sem querer, minha avó chorando toda a madrugada pela minha ausência na cama. deixei meu corpo em outra cama toda a noite. agarrei o corpo de outro homem. estive dentro de um abraço, o melhor lugar do mundo para se estar. quando fui, fugi de mim. fui sem pensar. fiz tudo aquilo porque quis. não pensei demais e atirei no alvo. falei mais que chupei e cheguei às 04:26h da manhã. primeira parte do dia morto. todo doído pelo que fiz e agora o vazio por não ter mais. sexo demais enlouquece. tenho que me internar. já.

João e Aymmar em cena

hoje, no sarau poético da minha escola, recitei alguns textos do meu livro ‘textículos’ (que é o diário sujo impresso) acompanhados com outros de raimundo de moraes do seu delicioso ‘baba de moço’. como gosto de me entregar, confesso que fui cruel na hora de fazer a seleção. eu, com o microfone numa mão e o livro na outra, ouvindo o eco da minha voz em toda a escola. gritando meus poemas. falando de pau e mostrando o meu lado homoafetivo. todos ficaram de boca aberta com a minha maldade e com a irreverência e humor dos poemas do ‘baba’. entalei a professora de educação física e deixei alguns professores, os mais sensíveis pela identificação com o tema, excitados. amei! gostei demais da experiência de falar entre amigos e inimigos o que eu penso do mundo nessa minha visão exagerada de ver erotismo em tudo. rai, credibilizei seus poemas e todos adoraram, percebi nos olhares e nos risos da platéia que na hora almoçava. a professora de português amou aquele no qual você se refere ao paulo coelho, sendo ela a única que entendeu. ah, detonei mesmo nos poemas mais safados, pois como estudante acho que a escola é um local de formação. se não aprenderem que para viver em sociedade temos que saber viver com as diferenças onde é que vão aprender? como respondeu o cartunista laerte em entrevista a continuum sobre a galera toda LGBT, “não queremos apenas não ser espancados. não é só uma questão de gênero, mas sim de respeito.” o sarau de hoje foi fantástico e, ainda com toda a minha maldade na hora de juntar as letras e pronunciar a palavra PAU, ninguém jogou tomate ou qualquer coisa que estava no prato em mim. por hoje papel cumprido, porque eu acho que poesia humaniza. brevebreve postarei as fotos.