Estive no inferno e lembrei de você

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para mim, um dos melhores livros da literatura brasileira contemporânea. nunca um livro mexeu tanto comigo (e sei que já sou mexido demais, ao menos por trás). mas esse livro me tirou do lugar. voei pras favelas do rio sem nem ter comprado as passagens. posso dizer que nasci lá com tudo que agora sei. gente, esse livro me desconfigurou. esse livro me marcou, e digo da cueca também, toda melada. esse livro, que é super urbano no meu estilo apaixonado fernanda young (garanto que vou ter muita dificuldade para ler josé lins do rego com ou sem fliporto), me reposicionou no país em que nasci e me mostrou uma nova forma de narrar uma história utilizando a tensão do personagem num envolvimento central com a arquitetura do texto. já ouvi muita gente falar disso e até da possibilidade de se fazer, mas nunca vi ninguém praticar (talvez seja porque o muito que eu acho que eu leio é pouco ainda, não sei). mas neste livro descobri o inferno. porque acho que há muitos infernos num inferno só, já que num dia que pode ter vários dias vários infernos nele pode ter. num estilo final de pregação de culto evangélico: pra terminar deixo a epígrafe que abre o livro: ‘a descida é fácil, as portas do inferno estão abertas dia e noite’. joãojoão, quem meche com fogo se queima. torrei.
 
 

Relações do saber

o bom da internet é que tanta coisa se relaciona e tanta coisa se mostra fazendo a gente perceber que não sabemos de quase nada. difícil mesmo é as pessoas confirmarem quase nada saber ou afirmar que o que sabe ainda é pouco pro muito que deveriam. sejamos mais humildes porque quase toda da vida é movida a tags e filtrada pelo google…

Reflexão sobre o Ask

as pessoas criam o ask para ter certeza que as pessoas lhe odeiam. o ask é uma rede social onde pessoas jogam inderetas, tiram dúvidas e fazem xingamentos. por isso que não tenho. quando falam mal de mim geralmente eu concordo até mesmo sem saber o que falaram. pra quê ler e responder o que eu já sei de mim e em boatos espalhados sobre o meu comportamento você pode também perceber? é por isso que eu não tenho. tenho vida, mas ask não. pergunte pra mim. eu respondo.

há pessoas que sabe tudo que já foi dito sobre tudo que já foi pensado. mas é incapaz de criar alguma nova verbalização. não seja assim. na hora de compartilhar um frase colocada numa imagem, dê também sua opinião. não cai a mão se teclar um pouquinho mais. de nada custa falar. ninguém pede o certo, pede-se apenas sua opinião que pode, claro, ser divergente da minha. tenho medo de pessoas de referências e cheias de aspas. me dá asma. perco até a calma e minha alma se dilata…

a vida toda para um único verso. pode? como temos uma vida muito fragmentada, divido em partes. cada susto pra mim é um novo poema. como é difícil eternizar na superfície de uma folha branca ou de alguns KB de um doc o que sai da gente…

ontem lendo trechos de uma biografia de caio fernando abreu eu chorei sua morte. sou apaixonadérrimo por caio fernando, mas não consigo com bastante facilidade ler a sua obra. com toda loucura, ainda prefiro hilda hilst. chorei pela morte (não juntas) dos dois ontem. escritor não deveria morrer. sei que este mundo é muito injunto, mas acho que naõ deveriam. a própria hilda escreveu que enquanto existe um poeta o homem está vivo. mas artistas não morre, se encanta. lá vou eu ler rumbem fonseca (lúcia mccartney). tem nada a ver. rs.

estou apaixonado por edson cordeiro. fazem três dias que só o escuto. fiz até uma pasta no mp4 com 19 faixas com interpretações dele (isso para não ouvir outro que não seja ele). não faço outra coisa a não ser ouvi-lo. no ônibus, caminhando na rua e na hora de dormir. estou me sentindo bem mais leve por isso. tão bom que é encontrar aquilo que nos completa… por isso a paixão. leio as correspondências de caio fernando abreu e um conto ou outro de dorothy parker com edson no ouvido. ai, como é bom estar bem. ♪♫