A tarde de hoje foi azul

deu uma enorme vontade de chorar. talvez seja a música de fundo deste instante da minha vida: meu tio ouvindo o cd dele de músicas internacionais. mas não, não é isso. é que eu tô com pena, muita pena. saudade de mim mesmo. já sinto saudades de hoje de tarde, do dia de hoje sem nem ter terminado ainda. garanto que toda vez que eu passar pelo local que eu estive hoje eu vou chorar. vou ter que me sentar pra chorar até chegar algum velhinho punheteiro de jornal no colo pra me trazer o lenço que ele limpa suas lentes. pra quem estava comigo, ainda bem que decidimos que a tarde não fosse próxima de minha humilde residência. ia ser choro toda hora. a verdade é que me apaixono pelos locais também. imagina eu, sozinho, chorando e gemendo no frio das ruas do recife antigo. ainda bem que foi em outro canto. tá vendo que deus existe. nem que seja nas coincidências. vivo pra escrever e com isso me dispo. amo os verbos. e ainda há quem suspeite de mim. perdem tempo dizendo que eu sou de indiretas. que eu sou baixo. filhinho, se aceite primeiro que já é um grande passo no litoral de sua falsidade. não, não to chorando por isso. tenho motivos. muitos, muitos motivos. a tarde de hoje foi recheada de momentos únicos. ficaram todos congelados como fotografia na minha memória. queria ter segurado com a ponta dos dedos e nunca mais soltar. neste exato segundo cai uma lágrima e não finjo, não crio ficção pra agora. sou o personagem. o sujeito da oração principal. vivo meu personagem, cumpro minha sina de ator sem projac. hoje estou piega, beirando o vazio com a bunda na janela. to feliz pelo que fiz. incompleto por não ter mais. saciado e ao mesmo tempo insaciado. dá vontade de se matar com esta bipolaridade toda. essa mudança de temperamento. esse arrependimento de mãe de traficante. essa facilidade de puta fácil sem tabela de preços. estão assassinando vivaldi (♥) num piano onde só a nota ‘dor’ tem vez. essa orquestra-vida sem maestro. esse show sem público. essa dor de cotovelo. essa canja sem pão. deus, como dói. o senhor não sente? como dói saber que meus amigos vão ter pena de mim. vão sofrer sem entender esse meu lado abstrato e hermético de ser. esse jeito sem capa de ser, de mostrar apenas a lombada na instante. leio pela capa não vou mentir e por isso que eu tanto a escondo, a capa. o que isso tudo quer dizer com o dia de hoje? sabe que não sei. desculpa você ter lido até aqui. Luuly’s Barros,Elivelton Alves e Ana Karolina são os culpados. só sei que agora tô aqui carente. choroso. sem lenço. com medo. com saudade da tarde azul que foi hoje.
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Yasmim and me

quem vai jogar os ossos pra mim? quem vai catar minhas pulgas? pra quem vou balançar o rabo? minha dona (Yasmim Haissa), vou sentir muita falta de você. só vão restar alguns outros cachorros na carrocinha do nóbrega. (Luuly’s BarrosElivelton Alves e Ana Karolina) merde! que azar esse meu. quem vai pintar minha cara? passar batom nos meus lábios? cobrir com base minhas espinhas? me fotografar toda produzida para a noite? pintar de vermelho minhas roídas unhas? quem, quem, quem? o tempo passou muito rápido, girl. ainda me lembro quando nos falamos pela primeiríssima vez. o primero welcome in my live. e nossas brincadeiras? e o Igor Messias que poderíamos ter divido? e nossa amizade? sim, flor, eu sei que vai continuar. mas e a saudade? vou socá-la onde? é sempre bom se questionar, mesmo quando não se tem as resposta para as perguntas. mas uma afirmação sincera que quero dizer enquanto nossa amizade caminhar de mãos dadas seria: te amo, de verdade! nossa amizade será virtual até quando você se cansar e me excluir do seu facebook. vou me lembrar de tu até quando estiver sofrendo de alzheimer. até quando um dia vier a sofrer de traumatismo craniano. melhor parar por aqui. ficando sem criatividade e não quero soar falso. resumindo, como namorados quando acabam, diria: foi bom enquanto durou. nos veremos por aí. quem sabe pelos banheiros públicos. pontes. centro. boa vista. treze de maio. cinema pornô. apenas fique certa de que nunca vou me esquecer de você. que nossos caminhos se cruzem no futuro. amém, senhor!

JOÃO GOMES

Tânia e eu

Tânia é uma grande amiga que eu conheci ano passado numa oficina do Sesc ministrada pela biógrafa de Clarice Lispector, a Teresa Monteiro. Desde de essa oficina, fomos nos conhecendo e reconhecendo as afinidades e os gostos mútuos. Ela, assim como eu, curte muito literatura e não sendo pra menos, é apaixonada por Clarice. Tânia também faz da escrita terapia e me proporciona, nos nossos encontros literários, muitas gargalhadas e sem falar nos conselhos que ela sempre me dá. Qualquer um queria uma amiga dessa. Tenho muita sorte…