Quando a escola estraga

Portrait of Pablo Picasso

“A arte limpa da alma a poeira da vida.” PICASSO (foto)

(ontem passei o dia lendo um livro daqueles pesadões de arte na livraria cultura e li essa frase de picasso e me encantei com tanta coisa nova que vi. o gostoso da arte é essa abertura escancarada para o novo. pena que a escola ajuda a estragar esse gosto, às vezes até precoce, nas pessoas. a aula de artes hoje na escola prova isso. a escola às vezes estraga e só não mais que socializa. tantas questões para responder e nenhuma conversa daquelas que encanta o aluno. acho que se eu não estivesse próximo de bons escritores (devo isso ao sesc) já teria me perdido na arte e até desistido. tudo é formação e, como escreveu mario quintana, a arte mais difícil é a de desler. com modéstia ainda digo que inda bem não necessito dessa péssima formação que brocha as pessoas antes mesmo até de se experimentar. só isso mesmo que tinha a dizer por uma frase).

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Reflexão sobre o Ask

as pessoas criam o ask para ter certeza que as pessoas lhe odeiam. o ask é uma rede social onde pessoas jogam inderetas, tiram dúvidas e fazem xingamentos. por isso que não tenho. quando falam mal de mim geralmente eu concordo até mesmo sem saber o que falaram. pra quê ler e responder o que eu já sei de mim e em boatos espalhados sobre o meu comportamento você pode também perceber? é por isso que eu não tenho. tenho vida, mas ask não. pergunte pra mim. eu respondo.

Abraços, surubas e vaidades

todos me amam e eu não amo ninguém. não é todo dia que estamos bem, entende, mas as pessoas não se dão conta disso. todos querem atenção, olhares, abraços. fujo de tudo isso. por pura escolha me escondo em becos e entro em lojas só para não dar um abraço. não gosto de abraços. abraços e beijinhos só ficam bem no final de uma carta, de um texto. ambos juntos, quando no final de qualquer texto, só tem a função de enganar e reforçar a coisa, a solicitação e a prosaica mentira contundente da dissertação. é estratégia pura, e eu sempre uso. principalmente nas cartinhas que escrevo à minha avó. muitos, muitos mesmo até, se emocionam com eles no final do texto. vovó mesmo nem se fala, a iludida. é muito difícil algo me comover. a arte tem que ser muito boa para que ocorra o abalo, para que estremeça as minhas estruturas e eu me cague. é, sou difícil para me comover, mas quando me comovo me cago todo de tanto susto e terror. minha pele então fica toda arrepiada. não dou beijos e não deixo ninguém beijar minhas espinhas, tudo para mim tem que ser de igual para igual, entende? e, só para fazer de difícil, o único abraço que consigo dá é o de tamanduá. é, aquele de amizade fingida e deslealdade. e quantos não dão somente esse? é, a lista não pára. eu só vivo para mim e por mim. não gosto de multidão, com exceção, é claro, da surubinha que eu participo aos sábados na casa de um amigo. posso ser assim chato em abraçar, mas eu gosto de dividir. suruba só funciona entre pessoas de mão aberta, entende? e é claro que pessoas de orifícios bem arreganhados, só frisando. normalmente, nesses momentos de multidão, eu deixo entrar de dois em dois pelas portas dos fundos. é difícil controlar a fila, mas que posso fazer se apenas tenho um caixa de atendimento para todos? ah, sabe outra coisa que também me irrita muito, depois dos beijinhos de vento e os abraços que não prendem? é a tal da vaidade. a vaidade de fato exclui permanentemente o olhar do outro. ficamos ousados pra cacete, querendo ouvir só o que nos agrada. porra, de verdade, pessoas vaidosas me enchem até demais o saco, o meu pequeno saco. as coisas devem ser ditas por livre e espontânea vontade, quando é assim passa a ter mais graça. viver para o outro já é íntegro do ser humano, mas ficar toda hora e todo instante questionando a beleza dos cabelos e das roupas que veste é de lascar a vitrine do shopping. não sou vaidoso e por mim morreria nu, assim como vim.

JOÃO GOMES.
(entenda que pus um pouco de ficção neste texto)

Tenho complexo de inferioridade

A verdade é que eu tenho complexo de inferioridade. Acho que somente esse mesmo: de inferioridade. Sinto-me menor em tudo e não consigo fazer a metade das tarefas do meu dia dia por me achar assim. Na escola, principalmente na disciplina de Educação Física, não consigo fazer nada. Acho meu corpo feio, minha voz feia e tudo que há mim feio. Claro que não fico lembrando isso toda hora para todos, mas o ‘não’ que eu cuspo quando me pedem para dançar ou fazer a tarefa mais simples que for que eu não faço. Entendo que isso se dá por eu ser tímido, mas não acho que timidez esteja altamente ligada ao fato de ser ou não ser apresentável. Eu mesmo não sou.

Muita coisa perco sendo assim, eu sei. Tenho amigas com o físico bem mais cheinho que o meu, embora elas, na hora de ser simpática e feliz, dão de dez a zero para mim. Pessoas como elas só tem como risco o de saúde mesmo, porque o resto é só diversão. Eu não quero dizer que externamente sou bonito, mas olhando da arquibancada para elas, que tem o corpo obeso e crescido para os lados, vejo pessoas que não pedem que a sociedade lhes aceite, mas sim pessoas que sem nem perguntar já vão logo se inserindo, mesmo ouvindo as vaias e os ‘olha que coisa que feia e isso ainda é feliz’.

Eu fujo de tudo e de todos. Não chego nem a fazer cartinha de solicitação e já corro. Se eu não estiver no meu grupinho, que entre eles faço quase de tudo, eu travo na hora. Jogo cola no assento da cadeira e fico lá horas e horas sem me levantar. Quando é pra eles, eu sei que os comentários botados no post do momento são para que haja uma melhora crítica no meu pocket show oferecido. É, gosto de dramatizar, de gritar e de fazer acrobacia entre eles. Mas só entre eles. Só.

Na hora de observar quando chego, por exemplo, no auditório da escola ou na quadra onde todos se apresentam, eu apenas vou como expectador. Só para olhar e aplaudir se caso me agrade. Digo sempre que poderia ter sido melhor, mas esse ‘melhor’ não me peça para fazer que não sei. Também não sou de vaiar, pois já que eu não faço nem com ou sem maestria não tenho nada para falar ou comentar. O meu ‘poderia ter sido melhor’ quase sempre só é ecoado no meu pensamento. Afinal se digo que poderia ter sido melhor para todos, então eu que tenho que ir lá e fazer. Isso também é relativo, não é? Impossível agradar a todos, meu bem.

Com esse meu complexo de inferioridade, vejo que boa parte dos meus comportamentos são distorcidos e a depreciação que sinto por mim é elevada a décima potência. Queria muito ser diferente, mas nem sempre é questão de escolha. É muito fácil dizer que se deve ser feliz e de tão fácil que é dizer que eu nem mais escuto quem vem com esses papos para o meu lado. A minha condição é não ser feliz, a minha identidade é cheia de rombo e toda distorcida. Infelizmente.

Bonito vai ser muita gente que pessoalmente me conhece ler esse texto e ver que o meu complexo não é de superioridade. É aquela coisa, tudo que faço tem que sair, pelo menos, direito. Quando é pra fazer tem que sair bom, bom mesmo. Mas, por conta da minha timidez, não sai nem bom nem ruim. Nada faço e a única coisa que sei fazer é avaliar os outros, por isso que sou tão crítico e tão chato. De mim não sai nada, pois fujo de mim mesmo nessas horas de milhares de olhinhos que não piscam olhando para mim, se fosse o caso.

Você que me lê e acompanha aqui o blog, tive que escrever isso para mostrar que o meu complexo não é de superioridade e, mesmo sendo tão ousado verbalmente,  sou uma eterna tristeza em pessoa. É só ver nas fotos gente a minha cara de quem já morreu e se esqueceram de enterrar. Sou eu que estou dizendo isso, é João quem escreve, o dono da cara, o aniversariante da festa sem bolo.  Aí pode!

Ok, já deu. Tenho que parar, pois não quero ser melhor que ninguém (complexo de superioridade) e estou sendo verborrágico por demais. Fui. Vou me olhar no espelho. Ou melhor: rachar espelhos.

Adrenalina

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Cresci no meio do medo. Tive sempre alguém pra me dizer que o bicho-papão não existe, mas nunca me deram carinho. Vivi em meio de desavenças, de brigas constantes. O medo se fez bastante presente na minha adolescência. Cresci movido a uma certeza: polícia prende e resolve. Isso não resolvia, ela nunca veio. Com medo de que enfiassem em mim sempre escondi as facas. As mesmas facas que pela manhã eu enfiava no pão, e depois aliviava o corte, com a manteiga. Engolia, não tinha tempo pra comer. Não tinha tempo pra viver, pra ser, pra dormir. Dormia de olhos abertos entorpecido pelo medo, pelo medo de morrer.

Estive sempre no alvo. No entanto eu não era o auge, mas os tiros do revólver se estendiam. Eu gritava um grito seco e fugia em busca de socorro. O psicopata corria atrás de mim e eu me escondia na casa de uma vizinha, pondo em jogo também a sua vida. Ela oferecia sua casa e me tirava da rua deserta. Não via nada de errado naquilo, mas me conhecia. Já dentro eu observava a simplicidade e o conforto, queria morar lá. Queria ter nos meus dias aquele acolhimento, aquele mofo. No meu quarto queria ter aquele chão coberto de papelões, aqueles lençóis brancos do último hospital.

Durmo, tentando esquecer os meus problemas. No sono não sonho, deixo-me ser. Acordo renovado, dando passagem a uma nova fase da minha vida. Percebo que nada se mexe, me encanto. Queria aquele silêncio matinal. Depois do oferecido pão com queijo volto pra casa e continuo a vida que ainda me sucede. Movido pela certeza da morte, ajudo a minha avó a tirar aquelas marcas de sangue das paredes sem tinta. Percebo que agora longa será a jornada, volto a comer meu pão e deixo cair no chão a faca. A faca do faqueiro da minha avó. Ela grita com a perda, não ligo. Retiro-me. Vou ao encontro do sono, recordando a adrenalina que foi pensar naquela fuga. A fuga de mim mesmo em encontro à continuação do que ainda corre.

JOÃO GOMES
14.01.12

Um cutuque em si mesmo

Poderia mentir, mas vou falar a verdade porque a verdade cala. Ou não. É o seguinte, venho me incomodando comigo mesmo nestes dias e por estar contido em mim isso me faz perder a concentração até nas coisas mais bobas que faço. Como, por exemplo, ajudar a minha avó a catar feijão. Por ser uma ajuda simples, catar feijão não tem supervisão. Por não ter, horas depois mastigo, com o macarrão que sempre vira papa, pedras ditas catadas na embalagem do produto. Ensinaram-me semana passada que o antônimo de bem é mal com ‘éle ‘e eu consegui captar direitinho sabendo que nunca mais vou errar. Quem dera isso ajudasse… Mesmo assim, obrigado que ensinou.

Então,  este incomodo que falo e procuro o que falar me deixa muito mal. Claro, o que se poderia esperar de um cutuque em si mesmo? O próprio dedo é ruim e bom mesmomesmo é o do outro.  O nosso a gente sempre tira e o do outro a gente deixa, mesmo sendo aqueles cabeçudos e personalizados, coberto por uma unha lixada. Não estou querendo dizer que não podemos sofrer e se encher da gente. Não, não é isso. Sartre, filósofo existencialista, já disse que ‘o inferno é o outro’. Não discordo. Só acho que no meu caso eu sou o culpado e não é de responsa de ninguém esta minha momentânea frescura.

Bom, e o incômodo fica onde? Se eu fosse usar a analogia do dedo que usei para chegar até aqui , diria que no ânus. Mas sei que com toda metáfora e personificação não cabe dentro dele essa minha inquietude que me rasga com mais exclusividade que um pênis de ferro no poder do Viagra ( por conta da minha inquietude, hoje dei a usar o nome científico da coisa. Terei medo em saber e curiosidade em descobrir  que o cu, além de ânus, tem outro nome digamos correto por ser o científico. Se tiver me avisem!). Então, estou  inquieto e mal. Meu dente deu a doer e Deus continua pregando a brincadeirinha de mal gosto em mim. Ah, mas eu sou uma pessoa boa. Umas quatro vezes dei esmola, que somando se subtrairá  em dois paus da minha economia. Deu tá dado, João, isso não ajuda! Procê ter uma noção, minha bochecha ficou inchadona por dois dias, como seu eu estivesse chupando um pirulito daqueles do cabeção. Inda bem que já estou melhor…

Hoje, 22, dia que concluo essa crônica, meu dente não dói tanto quanto doeu ontem e antes de ontem. Sinto-me bem melhor pela dor que para minha (não sei se nossa) alegria diminuiu. Ah, outra coisa, meu dente não tem mais jeito e, para futuramente não sentir mais dor, vou extraí-lo. Quem dera pudesse tirar sem morrer também esse meu coração inquieto que vive a bater numa desconexa irregularidade… Desculpe-me, mas não queria terminar assim. To parecendo aquelas meninas que leem frases de Tati Bernadi no site pensador e dão ibope a novela rebeldes e todo texto que escreve inicia com um querido diário. A verdadeira e única desculpa para esse desfecho é que hoje estou muito sentimental, satisfeito por ter ouvido toda a tarde Mallu Magalhães e Adriana Calcanhoto e por estar na antologia Granja com um conto que traduz a minha infância  com pintadas de ficção e estando, por tudo isso e um pouco mais, desativado meu lado bad girl. O jeito é esperar melhorar…

JOÃO GOMES.

Há dois anos atrás e a árdua saudade de mim

 não me resta dúvidas quando penso em voltar os anos. costuma-se dizer que o pior ano é sempre este, ou seja, o que estamos. se fosse 2010, ele seria o pior. estamos, como todos devem saber, em 2012 e para algumas pessoas fica uma dúvida extra: este é o pior ano e quiçá o último? se é, pra mim tá bom. virgem não vou morrer. a mesma brincadeira aconteceu com o ano 2000, minha avó que me contou. eu tinha 4 aninhos e não me preocupava com nada. chupava muito confeito para sentir só agora essa dor de dente que não passa e era que nem um cachorro que vive sua vida feliz e sem saber que um dia pode morrer num atropelamento. revelaram-me a morte e vejo de onde estou o fim. só sei que vou me mexer muito no túmulo… então, tenho o ano de 2010 como memorável. neste ano comecei a ler (ler livros e não me alfabetizar) e troquei para uma escola dita melhor por uma tia. ganhei um celular motorola Z3 de 700 paus da minha avó, que eu costumava dizer, na época, que ele subia. para minha não-alegria, o final que teve o aparelho (que eu tanto amava e gostava de tirar muitas e muitas fotos como, por exemplo, estas dos post) foi um assalto próximo da minha casa quando na ocasião explicava com o bicho grudado no ouvido (todo demente que eu era) o motivo de eu não gostar de ler agatha christie. mas eu não lia nada! explicava o que não entendia. meu primeiro livro foram as crônicas de mario prata, ainda lembro. lembro também que pulei as crônicas de futebol por saber que eu não ia entender nada. é, na época eu já pensava um pouquinho. naquele ano também comecei a escrever. comecei escrevendo sobre minha nada convencional família e sobre a minha vida tão merdinha que eu tinha na época (não é mais?) consequentemente por não entender nada de nada. não gosto e não mostro nem pagando esses poemas. são horríveis! mas sei que eles eram horríveis pelo motivo de na época eu ler muito pouco, ou melhor, começava ainda a ler  escolhendo a melhor posição para segurar o livro tentando fugir do sono que sempre vinha na segunda linha. mas tudo bem. o que importa é que passou e que vivi aquela época e somente as fotos tirada pelo Z3 para voltar e me rever matando (ou tentando) a árdua saudade que sinto de mim e da minha cara sem nenhuma espinha.

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Primeiro me amo para depois te amar

eu me amo tanto! converso comigo e procuro estar sempre bem comigo mesmo para depois ir ao encontro dos outros. fico triste por meus amigos terem peninha quando estou mal e, mesmo estando, não enterro em mim o que já é meu. deixo tudo na cara para não criar desentendimentos, pois gosto de ser ajudado e estou ciente que é ‘impossibol’ viver alone. sou o mesmo joão de sempre e o que é mais legal é que nós também podemos ser originais. como canta alzira espíndola: ♪ vista sua pele, use seus cabelos,  coma com seu dentes… ♫ costumo ser  eu mesmo e não gosto de me enganar e nem de enganar ninguém. pra tudo na vida resolvo me colocando no lugar do outro. quando aparece aquela velhinha querendo sentar no assento do ônibus eu imagino ela sendo a minha avó, mas com outra pele e outros cabelos e outras roupas e outra voz. não deixaria, é claro, de dizer ‘sim’ à minha avó e por que diria ‘não’ para esta, que também poderia ser até aquela minha avó paterna que sumiu numa quinta-feira com sua carteirinha de livre acesso quando pegou fogo a pensão que ela se hospedava. quando nos colocamos no lugar do outro ficamos mais humanos. acho  mais fácil eu me estranhar do querer ser o outro, concluo. do outro, assim como todos tem de mim quando não estou bem, somente tenho pena. se eu não tiver grudado em mim a bunda de fulano ou o órgão genital de sicrano vou me matar? nada, não saio do bilhete! vou é viver sendo esse joão que, com muito orgulho e investimento em selos alcançado com o tempo, acho que muito gente gosta. 🙂

Felicidade pode ser qualquer coisa

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o bom é que felicidade pode ser, como canta zeca baleiro, qualquer coisa. felicidade pra mim pode ser a dedada que eu amo levar. pode ser dez trufas por dia que eu tenho pena de comprar. pode ser conhecer todo o mundo numa turnê. pode ser apanhar toda a vida do homem que ama. pode ser dando o cu num domingo como este de hoje. pode ser amando e se dedicando toda a vida à pessoa que ama. pode ser desejando que o inimigo se estabaque num piso molhado e sem plaquinha. pode se escrevendo, tirando fotos e editando com um monte de efeitos horríveis e postando por aqui. pode ser lendo um livro que você gosta demais. pode ser ouvindo uma música com ou sem letra. pode ser não perdendo um capítulo da novela. pode ser gritando ao declamar um poema ou suportando a dor de algo grosso sendo socado por dentro. pode ser qualquer coisa desde que a gente seja o autor de tal ação. seguindo a lição a minha felicidade de hoje: li um romance policial francês e me dediquei a pensar somente na pessoa que eu amo com tanto carinho chegando a beirar a obsessão.
JOÃO GOMES

Creio nunca ter estado bem

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uma coisa é certa: não estou e creio nunca ter estado bem. sempre foi a mesma merda pra mim e não me venha com suas pessoais opiniões que eu não vou aceitá-las. nunca estive bem e é sabido dizer que bem é estar bem, mesmo soando assim cacofônico. mas como ficar bem? não consigo nunca estar bem. não sou o que possuo, mas sim o que eu sou. não subo em escada rolante e não sei andar de bicicleta. ando   pela rua olhando pra trás por achar que alguém ainda perde tempo comigo me seguindo. sei que sou e amo cada vez mais ser estranho. leio um livro, ou mais de um, por semana. sou apaixonado por jesus luz e meu ator pornô preferido é rafael alencar e não escondo que já sonhei com o piru dele dentro de mim. minha moral me permite derramar esmalte sobre minhas unhas e ousado até demais ando com elas pintadinhas no meio dos transeuntes e, se não fosse tão estranho pra mim, andaria de salto para dar pisadas nos pés de muita gente por pura maldade e orgulho (0%) de ser o que sou até metaforicamente. não assisto televisão por escolha própria e inventei de não tomar mais sopa, mesmo gostando só um pouquinho. não curto coisa rala, pois é querer disputar demais com a minha vida. não curto. amo ouvir rita lee e madonna quando estou só e tomo sem água pílulas quando se é necessário para curar uma úlcera ou diminuir a intensidade de uma dor. me apaixono fácil demais pelas pessoas e, se deixar, elas me maltratam sem eu perceber que estou sendo maltratado. não sou, apesar de alguns acharem, racista. sou negro e curto demais porque quando alguém me espanca naquelas horas de papai e papai as marcas não ficam tão evidentes assim a ponto de chegarem pra perguntar o motivo, como se sempre tivesse, daquilo. não suporto atender celular e acho um erro a invenção do mesmo. curto sair sem avisar e não suporto incômodos. amo correr pelas ruas do recife antigo como se corresse de um ladrão para me satisfazer indo na direção contrária do vento. um dos meus maiores defeitos é falar demais e ouvir pouquinho. tenho muito problema com regrinhas na  hora de estudar e as únicas que apendi de verdade são: onde e aonde, todos os porquês e mas e mais. isso porque é gramática. mas olhando pra exatas tenho até vergonha de confessar de tão desastroso que é. escrevo para tirar fotografia do momento e tê-lo sempre pra mim repetindo-o quando tiver vontade. escrever pra mim é agarrar sensações e retorno a dizer que neste oitavo dia de setembro, exatamente às 15:19h sinto saudade dele: o motivo  maior de todo esse meu mal-estar.