De ré ninguém chega lá

Se fôssemos imorais, poderíamos dizer que o nosso país (em especial aqui, ele, Brasil) está repleto de doentes. Analfabetos e homossexuais serão os meus dois exemplos para tentarmos chegar ao diagnóstico da ignorância elevada à sexta potência da sociedade atual. Antes de continuar a leitura saiba que isto aqui é apenas um desabafo.

Sou homossexual e tenho um tio analfabeto que reside no mesmo teto que eu. Eu, sendo um dos doentes beirando a morte (isso é uma metáfora, não estou com AIDS) e correndo o risco de ser negada a minha entrada no céu pelas minhas escolhas aqui na terra, e ele, meu tio, sendo outro doente do mesmo hospital com chances ainda de vida e alta já próxima por ter frequentado, quando tinha vontade, o EJA.

Os analfabetos são excluídos por carecerem de discernimento e intelecto; os homossexuais, também conhecidos numa rubrica sociológica por ‘a multidão’, são tidos como doentes por terem tomado como escolha o seu bem estar, acrescentando em suas vidas um ato de satisfação e prazer. Olhando de longe, pois de perto corre-se o risco de se assustar, vemos um erro, como é de se esperar, grande para quem tem consciência e pensa nas dificuldades que o outro passa, sendo, por isso, discutível e de análise demorada por todos os problemas criados pelas pessoas, se é que elas podem serem chamadas assim.

Muitos (amigos da escola, por exemplo) ainda não entenderam a razão de estudar História. Compreenderam que se estuda Matemática para aprender a calcular e Português para se comunicar numa linha de raciocínio igual a de todos. Certo, e História? Pelo Houaiss temos a seguinte definição: “conjunto de conhecimentos relativos ao passado da humanidade e sua evolução”.  Para mim a definição já é o essencial para explicar a razão de estudar História. Estudamos o passado para que a gente tenha um melhor presente, para que não se repita o que aconteceu ontem, hoje. A sociedade atual, não só pelo nome ‘atual’, não é de forma alguma a de 1782. Por vivermos o agora, estamos sempre a frente de nós mesmos e o passado, aquele, por exemplo, da época da escravidão, não dá para voltar, pelo seu comovente e histórico contexto, nos dias de hoje. “Todo Homem tem o direito de ser livre”, este é um dos vários artigos que compõe os Direitos Universais. E quanto tempo foi preciso para se criar estes Direitos? É de se saber que estes mesmos Direitos, como toda lei estabelecida, contêm deveres para que venha funcionar. É exatamente o não cumprimento destes deveres estabelecidos encarecidamente em leis sendo o motivo de tanta bagunça no nosso cenário social. Está virando (ou mesmo já é) uma casa de Mãe Joana.

Explicado o motivo de estudar História, tendo pelo seu estudo a instigação do intelecto e posicionamento atual sabendo que já houve um capítulo antes, podemos continuar meus apontamentos sobre os analfabetos e os homossexuais. Não é de ideia total de esta crônica usar como metáfora o termo “doente” para haver pauta para o assunto, afinal sabemos que tanto os desconhecedores do alfabeto e as pessoas que praticam sexo com pessoas da mesma genitália, são rotuladas, infelizmente, por doentes.

Veja:

Já no carro, voltando para casa:

– Filha, você viu aquele menino agarrado com outro igual a ele lá naquela pracinha? Então, ele é doente, filha.

Ainda:

Fumando um cigarro, ante de voltar para o setor:

– Carlinhos, saiu agora da minha sala um homem que não sabia assinar o próprio nome. Uma vergonha um homem como aquele nos dias de hoje não saber colocar num papel a sua identificação. Fiquei com pena dele e tive até medo pela sua ignorância em pessoa. Também nunca frequentou uma escola…

Os dois exemplos, do homossexual e do analfabeto, explicam e entrega quem é verdadeiramente doente em ambos os casos. Ser homossexual não é doença, é, antes de tudo, determinação e amor a si próprio para praticar aquilo que gosta sem depender da aceitação do outro para ser feliz; ser analfabeto, assim como homossexual, também não é doença. Antes de rotular um deles temos que entender que cabe somente a pessoa ser culto ou ignorante macho ou machucado como alguns que compõem o conjunto. Será que pararam para pensar nas dificuldades que este ser deve ter passado toda a vida para balancear os pesos entre trabalho e educação e entre ser isso mesmo ou fingir ser aquilo? Acho que quem é mais doente, nos dois diálogos-exemplo, são os observadores da doença, que não há, nos alvos atingidos.

Acontece que muita gente que frequentou a escola se acha intelectual por terem o senso, aprendido às vezes até na escola-mundo, se encarregando de chamar de doente/ignorante/disperso todo aquele que não estiver no mesmo patamar de conhecimento que ele (acha que) se encontra ou na mesma sexualidade que ele se enquadra. Todos esses conhecimentos aprendidos lá na escola, nessas horas, deveriam ser usados, para entender melhor a escolha, que só cabe pra quem a tomou, dando conselhos e apoiando para que tenhamos uma sociedade agradável de viver e diferente daquela que as aulas de História, no passado, mostrou como foi. A dica é estar sempre a frente de nós mesmo. Afinal, de ré ninguém chega lá.

JOÃO GOMES
29.10.12

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O amor não emite nota fiscal

Gosto da pessoa e não do que ela carrega na carteira.

Sinto tesão por qualquer tipo de homem, independente de sua classe social.  Não sou, e fico feliz por não ser, mulher. Dizem as más línguas que elas não gostam de homens, elas gostam de grana, gostam de ser bancadas. Apesar de eu não ser do tipo, acho que não são todas que estão no mesmo pacote e encarregadas a cumprir a mesma sina.

O maior mal das pessoas é rotularem as muitas coisas do seu cotidiano de sua maneira.

Há as que têm interesse somente no capital do homem versus as que têm interesse na troca de amor, de afeto entre ambos no decorrer da vida, sendo um amando o outro verdadeiramente até que a morte os separe.

Então, o erro do conjunto é rotular as coisas. Rotulam sem dó: políticos (em parte, eles fazem por onde), homossexuais (somos todos iguais, independente do que fazemos num quarto escuro com outro ser), moradores de comunidade carente (nem todos traficam e há muitos pais de família pelo menos no comando de sua humilde residência) e tantos outros seres pluricelulares que habitam este planeta.

Somos pessoas e não pastas num grande arquivo que de tão grande é necessário a etiqueta, o adesivo e a rotulação para facilitar a busca.

Em questão de amor, tudo que faço com o outro é de acordo com a minha livre e espontânea vontade. Se na hora tiver pretensão e o desejo for simultâneo entre ambos, faço ali mesmo sem pensar mais de duas vezes para dá start ao ‘serviço’. Não estou querendo dizer que cobro, afinal nem todos que eu conheço possuem no bolso grana e muito menos uma carteira para guardar, se os tivessem, seus documentos pessoais. É, isso mesmo: faço com indigentes. Pessoas sem condição de suprir suas próprias necessidades, mendigos limpos (20% dos casos) que se banham no tanque da mesma praça que em dias de semana flanelinhas lavam os carros de seus fregueses (acho lindo isso: ‘fregueses’ porque pagam o serviço deles) e nos fins de semana moradores de rua colocam a primeiro plano, no mesmo tanque, sua higiene pessoal. Faço mesmo e não estou querendo confundir aqui amor carnal com o amor ágape trabalhado no best-seller de Rossi.

Nada tem a oferecer um cão a uma cadela, mas eles se amam e se sentem quando ela está no cio (experiência do meu olhar, pela cambada de cachorros que tem a minha avó).

O amor natural não é vendido em potes de supermercados, por isso que não gera cupom fiscal, e nem trabalhado em terapias de grupo; começa na gente, quando desejamos que comece, afinal analisar um problema até nós podemos fazer isso e é muito diferente de curá-lo. Sejamos nós próprios o ministrante da oficina de amor natural, tendo como carga horária de curso toda a nossa vida. Acredite: o diploma que a gente leva é uma morada no céu (mentira): ame, ame sem pensar na troca por algo.

O amor, assim como uma pessoa, se estica todos os dias, sabendo ele, antes de acontecer tal crescimento onde parar, para com sucesso sempre conseguir passar pela porta da casa dele ou dela, sem ultrapassar o teto. A questão aqui não é anatomia, mas o amor deve, sendo-o grande ou ainda em fase de crescimento, presença absoluta em qualquer relação.

O verdadeiro amor é aquele onde a dose de tão perfeita que é que o mais necessitado se cura de todos os seus males. O amor é o brinde simultâneo da festa vida. O amor, havendo muito ou pouco na despensa, é o amor. Somos todos iguais nesse cabaré e, lembre-se, somos o que somos e não o que temos na carteira, na bolsa ou no corpo. E mais não digo, somente ame, ame e ame.

JOÃO GOMES
28.10.12

Um cutuque em si mesmo

Poderia mentir, mas vou falar a verdade porque a verdade cala. Ou não. É o seguinte, venho me incomodando comigo mesmo nestes dias e por estar contido em mim isso me faz perder a concentração até nas coisas mais bobas que faço. Como, por exemplo, ajudar a minha avó a catar feijão. Por ser uma ajuda simples, catar feijão não tem supervisão. Por não ter, horas depois mastigo, com o macarrão que sempre vira papa, pedras ditas catadas na embalagem do produto. Ensinaram-me semana passada que o antônimo de bem é mal com ‘éle ‘e eu consegui captar direitinho sabendo que nunca mais vou errar. Quem dera isso ajudasse… Mesmo assim, obrigado que ensinou.

Então,  este incomodo que falo e procuro o que falar me deixa muito mal. Claro, o que se poderia esperar de um cutuque em si mesmo? O próprio dedo é ruim e bom mesmomesmo é o do outro.  O nosso a gente sempre tira e o do outro a gente deixa, mesmo sendo aqueles cabeçudos e personalizados, coberto por uma unha lixada. Não estou querendo dizer que não podemos sofrer e se encher da gente. Não, não é isso. Sartre, filósofo existencialista, já disse que ‘o inferno é o outro’. Não discordo. Só acho que no meu caso eu sou o culpado e não é de responsa de ninguém esta minha momentânea frescura.

Bom, e o incômodo fica onde? Se eu fosse usar a analogia do dedo que usei para chegar até aqui , diria que no ânus. Mas sei que com toda metáfora e personificação não cabe dentro dele essa minha inquietude que me rasga com mais exclusividade que um pênis de ferro no poder do Viagra ( por conta da minha inquietude, hoje dei a usar o nome científico da coisa. Terei medo em saber e curiosidade em descobrir  que o cu, além de ânus, tem outro nome digamos correto por ser o científico. Se tiver me avisem!). Então, estou  inquieto e mal. Meu dente deu a doer e Deus continua pregando a brincadeirinha de mal gosto em mim. Ah, mas eu sou uma pessoa boa. Umas quatro vezes dei esmola, que somando se subtrairá  em dois paus da minha economia. Deu tá dado, João, isso não ajuda! Procê ter uma noção, minha bochecha ficou inchadona por dois dias, como seu eu estivesse chupando um pirulito daqueles do cabeção. Inda bem que já estou melhor…

Hoje, 22, dia que concluo essa crônica, meu dente não dói tanto quanto doeu ontem e antes de ontem. Sinto-me bem melhor pela dor que para minha (não sei se nossa) alegria diminuiu. Ah, outra coisa, meu dente não tem mais jeito e, para futuramente não sentir mais dor, vou extraí-lo. Quem dera pudesse tirar sem morrer também esse meu coração inquieto que vive a bater numa desconexa irregularidade… Desculpe-me, mas não queria terminar assim. To parecendo aquelas meninas que leem frases de Tati Bernadi no site pensador e dão ibope a novela rebeldes e todo texto que escreve inicia com um querido diário. A verdadeira e única desculpa para esse desfecho é que hoje estou muito sentimental, satisfeito por ter ouvido toda a tarde Mallu Magalhães e Adriana Calcanhoto e por estar na antologia Granja com um conto que traduz a minha infância  com pintadas de ficção e estando, por tudo isso e um pouco mais, desativado meu lado bad girl. O jeito é esperar melhorar…

JOÃO GOMES.

Quer dar dê logo

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A minha avó pediu, certa vez, ao meu tio dois paus para comprar quatro picolés de saquinho. Ele, mau filho que é, disse que dava depois. Minha avó, dada a provérbios e frases fodonas, me disse, quando contou: quem quer dar, dá logo. Concordei demais com o que ela disse. De imediato utilizei a frase em outros casos da vida, em especial a minha.

Gente, vamos combinar, mas dá o rabo dói. Que dói acho que todos sabem, mas o que nem todos devem saber é que quando é a gente que quer dá dói menos. Recapitulando: quando a gente quer dá a gente aguenta esquecendo a dor. Complicado mesmo é ser estuprado. Uma amiga me disse uma noite, quando atravessávamos uma ponte deserta próxima à Livraria Cultura do Recife, que preferia morrer que ser estuprada. Eu não, se for bonitinho, prefiro ser estuprado, desde que ele seja daqueles que usa preservativo e em especial no momento que estiver me estuprando. Mas, pensando direitinho, bonitinhos não estupram. Eles tem, nem que seja indo naqueles programas com quadro de “Pega ou passa”, a garota que quiserem. Deixa isso pra lá. Acho que o difícil é que tem homem que não curte usar porque brocha. Este mundo é maluco mesmo.

Então, quando a gente quer dá agente dá logo. Nada de voltinhas sem necessidade quem nem cachorro quando quer colocar pra fora aquele toletinho preso. Citando um pouco de literatura, o poeta Miró de Muribeca escreveu um versinho no seu livro DIZcrição que é assim ó: ‘quem fala demais não atira’. Está aí outra frase prima da primeira. Há aqueles que dizem que dá e não dá, ou seja, enrolam. Tenho alguns amigos gays que acham foda demais dizer que deu pra não sei quem e, de acordo com quem seja, sabemos ou imaginamos, mais ou menos, o tamanho do pirú do dito cujo. Não sei por que, mas ‘pirú do dito cujo’ me fez lembra de  pirulito. Concluo que pensar demais nos leva a ereção, não é verdade?

O gostoso da vida é isso. Uns dão, outros não tem coragem; uns deram até demais que nem sente quando colocam. Uns brincam dizendo que não dói e que só faz cócegas. Eu prefiro não dizer nada. Nem gemer eu gemo. Um amigo me falou pra, na hora da transa,  colocar algum cd de ópera e acompanhar cantando enquanto ele não gozava. Ainda não fiz isso, não vou mentir. Mas penso. Meu sonho, logo quando comecei, era dá pra um menino, que felizmente eu já dei, ouvindo Just Dance da Lady Gaga. Não realizei meu sonho por que no dia havia esquecido meu MP4 em casa e ele não tinha a música escolhida no seu celular e não queria me deixar voltar para pegar meu aparelho. Não, não fui estuprado. Aceitei o ‘não’ dele quando ele já tirava a bermuda e matei, como sempre mato, mais um dos sonhos, ou desejo de mulher grávida, da minha vidinha de merda. Então fica a dica: se quer dar, como diz a minha avó, dê logo, pois num estupro não terás opção. E só.

JOÃO GOMES

Filantropia digital


môdeus, meus amigos viraram personagens de desenho animado! tiveram infância? claro, né, joão! eles tiveram e, pra mostrar mesmo que tiveram, optaram por esta foto para ajudar a divulgar um projeto de idealizador desconhecido e de crianças que não conhecem, tendeu, joão? é, com a foto de  algum personagem de desenho animado dá pra ajudar e fazer isso tudo. entendeu ou quer que eu desenhe? já entendi, não precisa desenhar. então, eles tem referências, meu fio, e não pesquisaram, como você,  lá no google o nome de algum desenho animado para poder escrever sobre. entendo, flor, e, como toda modinha (me lembrei agora daquela #eusougay, onde um gay ou um ‘cabeça aberta’ escrevia num papel algo contra à homofobia e olhando bem, vamos combinar, isso não resolveu nada e acho que o único papel cumprido foi tirar muita gente do armário), tudo que vem passa.  recordo agora de uma afirmação que diz que ‘o artista morre e a arte fica’. concordo muito com isso e estava até outro diz comentando com a queridamiga tânia consuelo sobre as porcaria postas à venda no mercado e onde  as pessoas, iludidas, compram e dão vez a estas. mas parece que o retorno desta modinha, que tem como impulso maior e único o de modificar a foto do perfil, veio pra ficar. lembro-me que ano passado teve essa mesma caretice de amigos passarem no meu facebook solicitando a troca em pró do dia das crianças e à exploração das mesmas. teve gente que mudou e até hoje, pelo desinteresse com a rede, continua ainda a mesma foto, ou melhor, o mesmo personagem lá no seu perfil. certo, mais uma vez. me pergunto se isso ajuda em alguma coisa. meu, essa é a forma mais simplista e careta de se dizer que estamos sim preo com este mundinho dito por alguns que vai bater, agora em dezembro, as botas. concluo aqui no escuro do quarto, às 23:53h, que não vou trocar a minha foto por tom e jerry e tenho peninha elevada ao cubo de quem acha que pode contribuir desta forma com o outro. quer ajudar mesmo? de verdade? dique 100, baby, e denuncie as saidinhas do seu vizinho cinquentão com aquela menina de treze anos da outra rua. ou então vá na loja de $ 1,50 e compre algum brinquedo, mesmo o mais pebinha, e doe em alguma creche perto de sua casa, afinal sempre tem. acho que isso já é um grande passo. só com ele dá pra rodar o mundo. mas assim, sempre achei que essas pessoas que seguem estas modinhas só fazem merda, só pensam merda e, ainda por cima, cheiram a merda. estragada. mas tudo bem, tudo bem, afinal ‘é fazendo muita merda que se aduba a vida’. ok, quase agora vim do banheiro! informado de tudo um pouco, sei também que não existe o errado, existem eras e esta eu bem eu sei que é a da caretice.

JOÃO GOMES

Creio nunca ter estado bem

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uma coisa é certa: não estou e creio nunca ter estado bem. sempre foi a mesma merda pra mim e não me venha com suas pessoais opiniões que eu não vou aceitá-las. nunca estive bem e é sabido dizer que bem é estar bem, mesmo soando assim cacofônico. mas como ficar bem? não consigo nunca estar bem. não sou o que possuo, mas sim o que eu sou. não subo em escada rolante e não sei andar de bicicleta. ando   pela rua olhando pra trás por achar que alguém ainda perde tempo comigo me seguindo. sei que sou e amo cada vez mais ser estranho. leio um livro, ou mais de um, por semana. sou apaixonado por jesus luz e meu ator pornô preferido é rafael alencar e não escondo que já sonhei com o piru dele dentro de mim. minha moral me permite derramar esmalte sobre minhas unhas e ousado até demais ando com elas pintadinhas no meio dos transeuntes e, se não fosse tão estranho pra mim, andaria de salto para dar pisadas nos pés de muita gente por pura maldade e orgulho (0%) de ser o que sou até metaforicamente. não assisto televisão por escolha própria e inventei de não tomar mais sopa, mesmo gostando só um pouquinho. não curto coisa rala, pois é querer disputar demais com a minha vida. não curto. amo ouvir rita lee e madonna quando estou só e tomo sem água pílulas quando se é necessário para curar uma úlcera ou diminuir a intensidade de uma dor. me apaixono fácil demais pelas pessoas e, se deixar, elas me maltratam sem eu perceber que estou sendo maltratado. não sou, apesar de alguns acharem, racista. sou negro e curto demais porque quando alguém me espanca naquelas horas de papai e papai as marcas não ficam tão evidentes assim a ponto de chegarem pra perguntar o motivo, como se sempre tivesse, daquilo. não suporto atender celular e acho um erro a invenção do mesmo. curto sair sem avisar e não suporto incômodos. amo correr pelas ruas do recife antigo como se corresse de um ladrão para me satisfazer indo na direção contrária do vento. um dos meus maiores defeitos é falar demais e ouvir pouquinho. tenho muito problema com regrinhas na  hora de estudar e as únicas que apendi de verdade são: onde e aonde, todos os porquês e mas e mais. isso porque é gramática. mas olhando pra exatas tenho até vergonha de confessar de tão desastroso que é. escrevo para tirar fotografia do momento e tê-lo sempre pra mim repetindo-o quando tiver vontade. escrever pra mim é agarrar sensações e retorno a dizer que neste oitavo dia de setembro, exatamente às 15:19h sinto saudade dele: o motivo  maior de todo esse meu mal-estar.

Minha colaboração com o Blog das 30 Pessoas

verba, essa coisa difícil de se arranjar. prima de primeiro grau do patrocínio. é família e sua falta bloqueia sonhos. ideias. tudo se tranca na gaveta. pega mofo. vira pó. morre-se sem verba, sem crítica, sem olhares, sem o perdão. demos nós a cara à tapa. verbalizemos. opinemos sobre o preço do pão. gritemos roucos nossos poemas. coisa interna vocal e vocacional. deixemos, aos pulos, nossos corações. tiremos os to nem aí do canto. desassosseguemos, em nome de pessoa. ativemos o modo on da perturbação. literatura tem que mexer. tocar. perturbar. levar ao gozo tântrico. o poeta, o cronista, o contista, o romancista não querem somente verba, querem verbo. isso, muito antes da verba, está no princípio. abre joão. no princípio era o verbo. porque o nosso se principia na necessidade. não se precisa de marketing. best-seller só nas livrarias. sucesso de vendas, idem. talvez até seja a mesma coisa. aqui a edição é única. parada no pdf da inquietude. tudo aqui é virtual. diferente, é claro, pra quem gosta de segurar a coisa. passar saliva nos dedos. ouvir o barulho do papel. riscar para uma releitura. deves saber: aqui é tela e nem todo quadro pede moldura. aqui compartilhamos o amor pela palavra. palavra-verbo. fazemos arder lá dentro. metemos o dedo nas feridas. dilatamos aquilo e deletamos a falta de possibilidade editorial em papel. é tudo gratuito na barraca do beijo poético. maças do amor. dor fingida, e não por isso real. salas escuras. personagens com fôlego. pulsação. sede canina. no vestuário da crítica trocamos suas vestimentas. roupas limpas. brancas de paz. sem procissão. a paz começa na gente. a moral quando livres. vamos dizer o que queremos. livres de novo. já lutaram por isso lá trás. não vamos nos rasgar desta forma. escondendo o que pensa. vamos dizer o não dito. ler o terceiro caderno. deixar ser estranho. fazer novos achados na nossa língua. ser clássico de nós mesmos. atuais. verbais, aproveitando pra socar no cu a verba que cabe. direitinho. é só querer. querer. verbo: ação que não precisa de verba.

OBS.:

Este texto acima,  de autoria minha, é a principal argumentação da minha  editora virtual, a  Editora A Verba. Confesso que como editor não tive tempo de escrever um texto inédito para o Blog e,  como se precisasse mostrar que é verdade mesmo, reservei o mês de agosto para divulgar aqui esta minha iniciativa para com a difusão da cultura literária. Espero por todos vocês no blog da editora, onde no qual já tem como publicação marco um e-livro meu, o Testosterona. Para chegar lá é só clicar aqui.

Ah, gente, sou inquieto demais para ficar apenas nessa chatice de editora. Não sei se vocês vão gostar, mas publico a seguir um dos meus textos mais curtidos e comentados nesta semana lá no face:

 pintei minhas unhas, ou melhor, pintaram-nas. depois de eu tanto insisti pintaram. insisti mais um pouco e deram outra mão. claro que as pessoas estranharam tal vexame. saí hoje pra passear com minha cachorrinha e o pessoal (os transeuntes) não tirava os olhos da coleira. pouco liguei, é claro, e não escondi de ninguém. poderia, mas não escondi. pra quê esconder? fico feliz (feliz também é relativo) quando passo a ser eu mesmo. quando respiro pelo meus poros. quando como com os meus dentes. quando chupo e opto pelo que eu quero. a felicidade bateu na minha porta e eu abri e deixei-a entrar. minha casa (recém comprada. vai fazer três meses que me casei com um gringo. pedi demissão das lojas americanas e to pensando em trabalhar voluntariamente para a copa. primeiro quero aprender inglês, é claro. ele já tá me ensinando. me enganando que vai me ensinar, não sai do verbo to be. i will survive em meio a isso tudo.) toda bagunçada: a pia invadida de pratos sujos e minhas unhas (brilhando cheia de cutículas não removidas) todas ruídas naquelas horas de ansiedade, naquelas horas que ele diz que vem e não vem. sidney, meus esposo, anda chegando muito tarde, sempre com aquele papo de dormir na casa de uma amiga para não se atrasar na reunião do dia seguinte. pelo menos ele não é bi. e se fosse não sou ciumento. mas e eu como fico? esse tempo de chuva e eu sozinho rebolando na cama com brigite a gritar com os trovões. então hoje, cansado da rotina, mandei pintarem minhas unhas das mãos. as do pé não. sidney gosta de roê-las, com certeza brigaria e mandaria eu passar acetona para facilitar pra ele. não costumo gastar com futilidades, também ando apenas de sapato fechado e não cola mesmo fazer a dos pés. diferente de mim, sidney curte demais havaianas. tem uns dez pares diferentes. usa todas nos finais de semana na nossa casa de praia em noronha. porque é o seguinte: eu gosto de fazer tudo que ele me pede. nunca desobedeço. pintei as unhas pra ficar bonito, bonito pra ele. ele sabe que eu gosto de escrever e pintei também pra teclar com mais feminilidade. é das pontas dos meus dedos que saem aqueles textos. pintei pra escrever coisas românticas sobre nosso casamento que pelo menos até agora está dando certo. não sei se pela ausência dele, mas quase nunca brigamos. pintei as unhas e amanhã vou dá um alisante nos meus cabelos. sidney deixou comigo o cartão dele. pra incomodar a todos e fazer um pouquinho só de inveja, estou riquérrima. rica: r-o-l-a. rica! ♥

Um beijo de minutos em vocês e até mês que vem: 28 de setembro, uma sexta. 

E vocês do Sobretudo, acompanhem o blog: http://blogdas30pessoas.blogspot.com.br/

E dei a pintar as unhas

pintei minhas unhas, ou melhor, pintaram-nas. depois de eu tanto insisti pintaram. insisti mais um pouco e deram outra mão. claro que as pessoas estranharam tal vexame. saí hoje pra passear com minha cachorrinha e o pessoal (os transeuntes) não tirava os olhos da coleira. pouco liguei, é claro, e não escondi de ninguém. poderia, mas não escondi. pra quê esconder? fico feliz (feliz também é relativo) quando passo a ser eu mesmo. quando respiro pelo meus poros. quando como com os meus dentes. quando chupo e opto pelo que eu quero. a felicidade bateu na minha porta e eu abri e deixei-a entrar. minha casa (recém comprada. vai fazer três meses que me casei com um gringo. pedi demissão das lojas americanas e to pensando em trabalhar voluntariamente para a copa. primeiro quero aprender inglês, é claro. ele já tá me ensinando. me enganando que vai me ensinar, não sai do verbo to be. i will survive em meio a isso tudo.) toda bagunçada: a pia invadida de pratos sujos e minhas unhas (brilhando cheia de cutículas não removidas) todas ruídas naquelas horas de ansiedade, naquelas horas que ele diz que vem e não vem. sidney, meus esposo, anda chegando muito tarde, sempre com aquele papo de dormir na casa de uma amiga para não se atrasar na reunião do dia seguinte. pelo menos ele não é bi. e se fosse não sou ciumento. mas e eu como fico? esse tempo de chuva e eu sozinho rebolando na cama com brigite a gritar com os trovões. então hoje, cansado da rotina, mandei pintarem minhas unhas das mãos. as do pé não. sidney gosta de roê-las, com certeza brigaria e mandaria eu passar acetona para facilitar pra ele. não costumo gastar com futilidades, também ando apenas de sapato fechado e não cola mesmo fazer a dos pés. diferente de mim, sidney curte demais havaianas. tem uns dez pares diferentes. usa todas nos finais de semana na nossa casa de praia em noronha. porque é o seguinte: eu gosto de fazer tudo que ele me pede. nunca desobedeço. pintei as unhas pra ficar bonito, bonito pra ele. ele sabe que eu gosto de escrever e pintei também pra teclar com mais feminilidade. é das pontas dos meus dedos que saem aqueles textos. pintei pra escrever coisas românticas sobre nosso casamento que pelo menos até agora está dando certo. não sei se pela ausência dele, mas quase nunca brigamos. pintei as unhas e amanhã vou dá um alisante nos meus cabelos. sidney deixou comigo o cartão dele. pra incomodar a todos e fazer um pouquinho só de inveja, estou riquérrima. rica: r-o-l-a. rica! ♥
JOÃO GOMES

A tarde de hoje foi azul

deu uma enorme vontade de chorar. talvez seja a música de fundo deste instante da minha vida: meu tio ouvindo o cd dele de músicas internacionais. mas não, não é isso. é que eu tô com pena, muita pena. saudade de mim mesmo. já sinto saudades de hoje de tarde, do dia de hoje sem nem ter terminado ainda. garanto que toda vez que eu passar pelo local que eu estive hoje eu vou chorar. vou ter que me sentar pra chorar até chegar algum velhinho punheteiro de jornal no colo pra me trazer o lenço que ele limpa suas lentes. pra quem estava comigo, ainda bem que decidimos que a tarde não fosse próxima de minha humilde residência. ia ser choro toda hora. a verdade é que me apaixono pelos locais também. imagina eu, sozinho, chorando e gemendo no frio das ruas do recife antigo. ainda bem que foi em outro canto. tá vendo que deus existe. nem que seja nas coincidências. vivo pra escrever e com isso me dispo. amo os verbos. e ainda há quem suspeite de mim. perdem tempo dizendo que eu sou de indiretas. que eu sou baixo. filhinho, se aceite primeiro que já é um grande passo no litoral de sua falsidade. não, não to chorando por isso. tenho motivos. muitos, muitos motivos. a tarde de hoje foi recheada de momentos únicos. ficaram todos congelados como fotografia na minha memória. queria ter segurado com a ponta dos dedos e nunca mais soltar. neste exato segundo cai uma lágrima e não finjo, não crio ficção pra agora. sou o personagem. o sujeito da oração principal. vivo meu personagem, cumpro minha sina de ator sem projac. hoje estou piega, beirando o vazio com a bunda na janela. to feliz pelo que fiz. incompleto por não ter mais. saciado e ao mesmo tempo insaciado. dá vontade de se matar com esta bipolaridade toda. essa mudança de temperamento. esse arrependimento de mãe de traficante. essa facilidade de puta fácil sem tabela de preços. estão assassinando vivaldi (♥) num piano onde só a nota ‘dor’ tem vez. essa orquestra-vida sem maestro. esse show sem público. essa dor de cotovelo. essa canja sem pão. deus, como dói. o senhor não sente? como dói saber que meus amigos vão ter pena de mim. vão sofrer sem entender esse meu lado abstrato e hermético de ser. esse jeito sem capa de ser, de mostrar apenas a lombada na instante. leio pela capa não vou mentir e por isso que eu tanto a escondo, a capa. o que isso tudo quer dizer com o dia de hoje? sabe que não sei. desculpa você ter lido até aqui. Luuly’s Barros,Elivelton Alves e Ana Karolina são os culpados. só sei que agora tô aqui carente. choroso. sem lenço. com medo. com saudade da tarde azul que foi hoje.

Eu, o amigo do crime

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comecei ‘amar é crime’ ontem no ônibus e terminei hoje (também no ônibus) um mês depois de ter ganhado do marcelino ao responder sobre a natalidade de nelson rodrigues. terminei satisfeito, ri demais com o amigo Jefferson. li alguns dos contos em voz alta. a verdade é que achei o texto muito teatral e por isso delicioso. muitos personagens. minha avó adorou os micros para ler no intervalo da novela. eu não precisa nem falar. Ecilda Freitas riu com todos. ouvir, em toda a leitura, a voz dele, do marcelino freire. incrível como o estilo caracteriza a gente. o ‘amém’ tanto falado por ele na oficina. a forma de contar as coisas. de se preocupar com quem está lendo. e as rimas? e os finais surpreendentes? gostei da experiência de ler um livro de contos com tema central. o amor, no caso deste. o amor figurado em diversas cenas desta vida de loucos, de criminosos. marcelino se agarra no dizer do povo. na língua do povo. ‘porque o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada’, escreveu bandeira em um de seus versos sobre o recife. ele, o marcelino, vem, como todos devem saber, pra se vingar. vem com a linguagem do povo. aprendi com a leitura de ‘amar é crime’ que: não escrevemos para agradar, mas sim para espantar. verbos completamente distantes, mas no entanto possíveis de serem colocados em ação por quem escreve. por quem escreve de verdade. por quem leva a sério a escrita de um texto literário. como não paro nunca, já estou lendo uma seleta de crônicas do rubem braga. muito, muito bom. coisa boa que é ler e escrever. marcelino recomenda muito. ambos. agarradinhos. 🙂

JOÃO GOMES