‘Dois Rios’, de Tatiana Salem Levy

por isso que eu não deixo de ler, em especial, a literatura brasileira. com orgulho, ultimamente só venho lendo grandes romances de autores premiados. estou ficando até frustrado e crítico demais na hora de escrever… então, expondo meu orgulho li, semana passada, ‘o diário da queda’, de michel laub e, para acalmar as coisas, porque quem leu sabe o quanto o livro é forte, peguei tatiana sale levy. ‘dois rios’, segundo romance da tatiana, é uma leitura calma e ao mesmo tempo cheia de tensões. no livro encontramos belas descrições de paisagens marítimas que nos passa a intensa beleza da narrativa da obra. gente, esse livro mexeu comigo. leia ‘dois rios’ e navegue na sopa de letras da atual literatura brasileira, a nossa literatura.
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Diário da queda, de Michael Laub

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um dos melhores livros da literatura contemporânea que eu li até agora. o autor, além de ter um escrita inovadora e elegante, ele trabalha a questão da identidade. cria uma história com a comum  pergunta ‘como o indivíduo se torna aquilo que é?’. na conclusão do livro, terminei quase agora, pontuo que a construção da nossa identidade se estabelece com a nossa relação com os outros. não estou muito chocado com o desfecho porque o autor já vinha me preparando desde o começo e, assim o sendo, me assustando desde a primeira página com seus relatos.

Ficando viciado em séries policiais

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encontrei “o homem dos círculos azuis”, de fred vargas (jurava que era um homem assim que vi, mas é uma mulher, mesmo assim, ainda bem que é só o nome que confunde.), como quem não quer nada e no mesmo instante que li a primeira página pulei logo para a segunda e já me vi apaixonado pela personagem de entrada, a mathilde, conceituaada oceanógrafa que divide a semana em fatias. o livro faz parte da série policial da companhia das letras a qual eu já tinha decidido começar a ler, iniciando com “o talentoso ripley” de patricia highsmit. a bem da verdade é que eu sou apaixonado por romances policiais, mesmo selecionando a dedo obras traduzidas que me dedico a ler. li recentemente “os espiões” do verissimo e curti demais ter estado em contato com um editor, uma escritora fraudulenta intitulada toda a história de suicida querendo se publicar antes do desfecho e frondosa, a cidadezinha onde se passa a história. o livro de vargas é um romance policial de mistério, onde no enredo temos um misterioso homem que limita com um giz objetos e até pessoas assassinadas nas asfaltadas ruas parisienses. personagens memoráveis, inteligentíssimos e com diálogos tão verdadeiros e precisos que nos dá a impressão que estão pulando para fora da página. to gostando tanto que to com pena de terminar, ou melhor, de descobrir o tão misterioso homem dos círculos azuis. recomendo muitíssimo! 🙂

Eu, o amigo do crime

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comecei ‘amar é crime’ ontem no ônibus e terminei hoje (também no ônibus) um mês depois de ter ganhado do marcelino ao responder sobre a natalidade de nelson rodrigues. terminei satisfeito, ri demais com o amigo Jefferson. li alguns dos contos em voz alta. a verdade é que achei o texto muito teatral e por isso delicioso. muitos personagens. minha avó adorou os micros para ler no intervalo da novela. eu não precisa nem falar. Ecilda Freitas riu com todos. ouvir, em toda a leitura, a voz dele, do marcelino freire. incrível como o estilo caracteriza a gente. o ‘amém’ tanto falado por ele na oficina. a forma de contar as coisas. de se preocupar com quem está lendo. e as rimas? e os finais surpreendentes? gostei da experiência de ler um livro de contos com tema central. o amor, no caso deste. o amor figurado em diversas cenas desta vida de loucos, de criminosos. marcelino se agarra no dizer do povo. na língua do povo. ‘porque o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada’, escreveu bandeira em um de seus versos sobre o recife. ele, o marcelino, vem, como todos devem saber, pra se vingar. vem com a linguagem do povo. aprendi com a leitura de ‘amar é crime’ que: não escrevemos para agradar, mas sim para espantar. verbos completamente distantes, mas no entanto possíveis de serem colocados em ação por quem escreve. por quem escreve de verdade. por quem leva a sério a escrita de um texto literário. como não paro nunca, já estou lendo uma seleta de crônicas do rubem braga. muito, muito bom. coisa boa que é ler e escrever. marcelino recomenda muito. ambos. agarradinhos. 🙂

JOÃO GOMES

hoje está um dia alegre

estou terminando de ler ‘hoje está um dia morto’ doAndré de Leones para começar ‘seminário dos ratos’ de lygia fagundes. sobre o livro de leones: gostei demais dos personagens e da maneira que ele aborda a realidade da juventude brasileira. confesso que me vi bastante, afinal tenho a idade do jean. ri muito com algumas cenas e acho fantástico a presença de deus na história. esse li rápido, sendo esta a segunda tentativa. não conseguia nunca. toda vez deixava até que dessa vez, quando conheci morena e fabiana, segui em frente. comecei sexta com Jana Vasconcelos ao meu lado. ela lá vendo a partida de vôlei e eu lendo. li para completar as minhas leituras do prêmio sesc de literatura de 2005. Lucia Bettencourt(autora de ‘a secretária de borges’) e André de Leones estão de parabéns pela qualidade literária dos textos naquele ano. vou lá ler a inventora de memórias lygia fagundes telles já que não tenho em mãos ‘filandras’ de adélia prado. não to querendo dizer que lygia é uma tapa buraco, hein!? questão de ♥ aos livros mesmo, de leitura continuada.

Li Aritmética, de Fernanda Young

Dedico esta resenha à amiga Tânia Consuelo aproveitando aqui pra agradecer o presente de aniversário que foi este livro, Aritmética, de Fernanda Young.

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Já é comum eu dizer, toda vez que eu leio algum livro da Fernanda Young, que eu amei. Esse último, Aritmética, não fica sendo diferente. Tem o mesmo fôlego narrativo que As pessoas dos livrosVergonha dos pés e Tudo que você não soube. Esta mulher que, mesmo com a fama de romancista fracassada, veio realmente pra ficar. Fernanda é Fernanda e não se discute. Mas vamos ao que interessa.

Aritmética foi um livro que li com uma velocidade que até eu estranhei. O bom é que até isso fica sendo informação para integrar uma resenha, mas eu digo mais. Young escreve, por ser uma escritora contemporânea, num estilo super ligado às tendências e, por isso mesmo, sua literatura é chamada de pop. Literatura pop – será esse o motivo de eu gostar tanto dela e dos textos que ela escreve? Costumo, quando gosto muito de um escritor, ler tudo que ele publica  isso talvez explique. É uma fidelidade direcionada, entende?

Sabemos que escrever dói e, num  único exemplo, a autora de A hora da estrela, Clarice Lispector, nos passa  isso com a maior nitidez possível. Fernanda também. Pra quem ainda não sabe, os livros dela tem como enredo o mundo das letras, do fazer literário. Personagens como leitores, autores, pesquisadores, dizedores de poesia e tudo que se pode imaginar no mundo literário se é encontrado nas páginas dos livros de Young. Dicas irônicas de escrita e vida de escritor pairam na parte interna do livro. Achamos que pela escritora ser maluca, ter posado para a Playboy e ser entrevistadora de tevê ela não sabe escrever. Reforce, então, sua opinião sobre.  Fernanda é tudo de bom o que você menos esperar, falo no contexto do fazer artístico e no seu lado crítico. Este, Aritmética, é de longe, o livro mais literário da autora.

O livro tem, como um dos personagens centrais, João Dias, um escritor já reconhecido que não suporta, detalhando uma das coisas, a família. Um escritor de carreira famosa no mundo literário, mas que no entanto, já na velhice, opta por não dá entrevistas e não participar ativamente deste mundo de eventos e feiras de livros. Seria ele a Fernanda Young? Talvez. Mas, todos  os outro personagens devem mostrar o jeito de estar e encarar o mundo da forma que Young, pelo que vejo em entrevistas, deve encarar.

Numa breve apresentação dos personagens, temos: América, amante do escritor João Dias; Eduardo Dias, filho de João e também escritor; Mariana, neta de João que se dedica a escrever um livro falando sobre o enigmático avó; Elisa, jornalista e neta de América casada com um fotógrafo, Rigel, que trai assim como a  esposa com  a neta de João, Mariana, e Elisa com Eduardo, onde, aproveitando as situações e mostrando que literatura se faz de cenas e palavras, ele, sendo escritor, escreve um romance sobre a relação conjugal de ambos.

Há todo um promíscuo movimento que alimenta as mais de 400 páginas do livro, onde cada capítulo tem um narrador com perspectiva sempre variada, fazendo com que a leitura não torne-se chata, mas sim ágil. Melhor do que a foma que a escritora escolheu para a velocidade da leitura, é falar do assunto abordado e da maneira delicada e feminina que tudo nos é contado. Este é realmente um livro de frases e eu o li todo com um marca texto. Ela cria os problemas e dá soluções, exceto aqueles, parecidos com uma equação sem resultado, onde o desejo fala mais alto. Descubra a aritmética da  atual relação contemporânea lendo Aritmética, de Fernanda Young. Deixo a dica me lembrando da canção que costumo sempre ouvir na voz de Gal Costa: ‘…tudo certo como 2 e 2 são cinco…♪’.

JOÃO GOMES
28.07.12