Pra que frequentar a escola?

estou cansado até de saber que quase ninguém sabe. inclusive eu: matemática. o resto do povo: quase tudo. não suporto aula de literatura na escola. é uma deformação, quase um abandono à letras. quero estar vivo no futuro para falar bem mal da maneira como fui educado. quero que minha formação seja outra. não atribuo ao professor o pouco que eu sei. nem o roteiro eles estão oferecendo mais. que tédio que é frequentar uma escola onde nada se aprende. uó (como reclamam as bichas, sim, sou uma).

COMENTÁRIO DE UMA AMIGA  RELACIONADO A ESTE POST NO FACEBOOK:

(Jana Vasconcelos):
João, não só as bichas, rs Mas é verdade, boa parte das coisas que aprendi foi fora da escola. Principalmente na área de humanas. E aula de literatura então, nem se fala! A escola contribui bem pouco nas coisas que eu sei. É triste isso. Pra que frequentar a escola, afinal??

 

Pena maior

tenho pena porque muitos dos meus amigos vivem sem arte e sem poesia e sem uma boa música e sem teatro e sem encanto e sem nenhuma utopia, apenas com a rotina de sempre. triste, mas é. quem é assim, sabe. ou melhor, sofre. a arte reiventa a vida e esse tédio que muitos postam nos status denuncia.
 

Homofobia é coisa de veado (sempre soube)

“Homofóbicos, que são pessoas que sentem grande desconforto quando pensam em homossexualidade, frequentemente são homossexuais reprimindo suas próprias tendências biológicas. A pesquisa não foi contestada em 17 anos e suas conclusões foram reforçadas por outro teste mais preciso, realizado na Inglaterra no ano passado, com imagens cerebrais de homofóbicos. Claro que nem todos os homofóbicos são gays: pode ser cultural ou simplesmente uma dificuldade de lidar com o diferente. Mas pessoas que nascem gays em ambientes repressivos muitas vezes aprendem a suprimir a homossexualidade e sentem raiva dela.” DENIS RUSSO BURGIERMAN, em artigo da Super Interessante.
 

Estive no inferno e lembrei de você

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para mim, um dos melhores livros da literatura brasileira contemporânea. nunca um livro mexeu tanto comigo (e sei que já sou mexido demais, ao menos por trás). mas esse livro me tirou do lugar. voei pras favelas do rio sem nem ter comprado as passagens. posso dizer que nasci lá com tudo que agora sei. gente, esse livro me desconfigurou. esse livro me marcou, e digo da cueca também, toda melada. esse livro, que é super urbano no meu estilo apaixonado fernanda young (garanto que vou ter muita dificuldade para ler josé lins do rego com ou sem fliporto), me reposicionou no país em que nasci e me mostrou uma nova forma de narrar uma história utilizando a tensão do personagem num envolvimento central com a arquitetura do texto. já ouvi muita gente falar disso e até da possibilidade de se fazer, mas nunca vi ninguém praticar (talvez seja porque o muito que eu acho que eu leio é pouco ainda, não sei). mas neste livro descobri o inferno. porque acho que há muitos infernos num inferno só, já que num dia que pode ter vários dias vários infernos nele pode ter. num estilo final de pregação de culto evangélico: pra terminar deixo a epígrafe que abre o livro: ‘a descida é fácil, as portas do inferno estão abertas dia e noite’. joãojoão, quem meche com fogo se queima. torrei.
 
 

há pessoas que sabe tudo que já foi dito sobre tudo que já foi pensado. mas é incapaz de criar alguma nova verbalização. não seja assim. na hora de compartilhar um frase colocada numa imagem, dê também sua opinião. não cai a mão se teclar um pouquinho mais. de nada custa falar. ninguém pede o certo, pede-se apenas sua opinião que pode, claro, ser divergente da minha. tenho medo de pessoas de referências e cheias de aspas. me dá asma. perco até a calma e minha alma se dilata…

a vida toda para um único verso. pode? como temos uma vida muito fragmentada, divido em partes. cada susto pra mim é um novo poema. como é difícil eternizar na superfície de uma folha branca ou de alguns KB de um doc o que sai da gente…

ontem lendo trechos de uma biografia de caio fernando abreu eu chorei sua morte. sou apaixonadérrimo por caio fernando, mas não consigo com bastante facilidade ler a sua obra. com toda loucura, ainda prefiro hilda hilst. chorei pela morte (não juntas) dos dois ontem. escritor não deveria morrer. sei que este mundo é muito injunto, mas acho que naõ deveriam. a própria hilda escreveu que enquanto existe um poeta o homem está vivo. mas artistas não morre, se encanta. lá vou eu ler rumbem fonseca (lúcia mccartney). tem nada a ver. rs.

estou apaixonado por edson cordeiro. fazem três dias que só o escuto. fiz até uma pasta no mp4 com 19 faixas com interpretações dele (isso para não ouvir outro que não seja ele). não faço outra coisa a não ser ouvi-lo. no ônibus, caminhando na rua e na hora de dormir. estou me sentindo bem mais leve por isso. tão bom que é encontrar aquilo que nos completa… por isso a paixão. leio as correspondências de caio fernando abreu e um conto ou outro de dorothy parker com edson no ouvido. ai, como é bom estar bem. ♪♫

E o meu Recife pegou fogo

como deve ter sido divulgado, houve nesta madrugada um incêncido no bairro do recife antigo. na hora do incêndio eu estava na rua da aurora (campo de pesquisa do meu diário sujo) e logo no exato momento em que subi o meu calção e saí do mangue me deu a vontade de olhar pro céu e foi aí que vi aquela fumaça toda achando muito estranha. e era, você precisava ver. de tanta que foi que a ponte que leva à praça da república sumiu. eu, mesmo tão frazino, não sumi e claro que pensei logo em fogo. mas só me dei conta quando levei meu olhar pra longe e vi as chamas (meio que sem saber em qual prédio era). lembrando tudo isso começou às 0h e eu estava ainda na rua da aurora (esperando pelos primeiros raios de sol), mas, por ser humano, fiquie tão triste com o acontecido que nem consegui mais dar. fui pra casa meio que acompanhando na pressa os carros do bombeiros indo ao foco do fogo e ardendo todo por dentro por ele não ter vindo e, mesmo assim, deixando ainda acessa a minha paixão que nunca se apaga. mentira, nunca nem acendeu. ah, mas o que importa é que a outra foi controlada e ninguem precisou ir junto com ela. ah, mas o inferno é mais quente.